A sociedade é a excelente ferramenta criada pelos homens, para as pessoas –todas as pessoas– puderem viver melhor, enquanto por aqui andarem, e não teria qualquer sentido, se assim não fosse!
Vem isto a propósito de uma afirmação de Guilherme d’Oliveira Martins sobre ‘A economia humana’, numa crónica no DN, ‘Entrámos num período de instabilidade macroeconómica, com crises violentas consecutivas, num sistema de polaridades difusas, agravamento das desigualdades, limitação da capacidade criadora, evolução financeira incerta, resultados contraditórios e persistência da ilusão do crescimento, acompanhada de redução da coesão e da confiança’.
Não é fácil assumir aquela posição (todas as pessoas), num mundo em que não se sabe bem o que está a acontecer, no meio do aluvião de notícias, de imagens, de um ruído insano de opiniões, a maioria das vezes tão diversas e disparatadas, que não raramente se contradizem, dependendo muito da força e orientação do vento que têm atrás. Aliás esta questão, leva as pessoas a pendurar-se em quem as transmite, quase pondo de lado o que querem dizer. É nisso que se baseia o êxito dos ‘influencers’, porque a grande ambição de cada um deles está muito longe de querer ensinar, ou levar as pessoas a pensar, ficando apenas pelo influir, como a própria designação indica.
Juntem-se as notícias e imagens ‘à molhada’ e sem tratamento ético e jornalístico, a ‘novidade’ que acarretam e as motivam –conferida ou não– mais o ruído da maioria dos ‘donos’ das opiniões, por nos levar a caducá-la com a mesma pressa com que apareceu, transferindo para os media, as prioridades também já ali divulgadas, das agendas políticas dos partidos, ou e, de governos.
Obviamente paradoxal esta atitude, por também e normalmente, se pode ver como as gentes seguem a opinião alheia –daí o êxito dos tais influencers–, numa altura em que a leitura é cada vez mais rara, e muito mais se ultrapassa os limitados caracteres das redes, a arrastar para um cepticismo que, abrangendo ainda a ignorância, se coloca do outro lado do espírito crítico; também é óbvio que qualquer um acaba a defender o que pode confirmar as suas suposições, por as alternativas até poderem estar manipuladas, por aqueles aluviões, imagens, ruídos e orientação dos tais ventos que as divulgam –daí a importância de literacia!–
E os próximos tempos, vão estar marcados pelas opiniões dos três tipos de especialistas que frequentam os nossos media, de acordo com a crónica do professor Oliveira Rocha no ‘Correio do Minho’, os militares, os professores de relações internacionais e os tudólogos, os que falam de tudo, tanto de economia, como de crises, políticas e climáticas, das relações internacionais ou de eleições; o ‘colorido’ do caso que, desde terça feira nos ‘sufoca’, vai ser um terreno fantástico para tais tudólogos, em que ‘O dr. Marques Mendes e o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa constituem os exemplos mais acabados’, diz aquele professor da Universidade do Minho.
Só espero que, não sejam do estilo do monólogo final de Roy Batty, o vilão do filme ‘Blade Runner’, ‘Eu vi coisas que vocês não imaginariam. Naves de ataque em chamas ao largo de Órion, raios-c brilharem na escuridão, junto ao Portal de Tannhäuser. Todos esses momentos se perderão no tempo, como lágrimas na chuva. Hora de morrer’.
Um monólogo que poderia apontar para a completa falta de conhecimento da realidade em que então, certamente por incluir todos os habitantes da Terra. Vamos acreditar, como escreveu Erasmo de Roterdão no ensaio ‘Elogio da Loucura’, ‘Toda a tolice, por mais grosseira que seja, sempre encontra sequazes’.
Mas hoje é dia de S. Martinho! Não se esqueçam das provas! (e isto serve para todas as pessoas!)
António M. Oliveira
Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor