CARTA DE BRAGA – “da Gioconda à passagem do ano” por António Oliveira

Já lá vão alguns anos, desde que uma fotografia, tirada ao publico no Museu do Louvre, que queria ver a ‘Mona Lisa’ (A ‘Gioconda’), me deixou completamente atarantado só se viam nucas e telemóveis no ar e, lá no meio, uns bocados do famoso quadro de Leonardo da Vinci; as poucas pessoas que estavam de frente para o fotógrafo, tinham os telemóveis apontados para o quadro, na tentativa assaz complicada de fazer uma daquelas selfies que Marcelo popularizou, mas com espaços mais livres ao lado, para os fotógrafos também o ‘apanharem’ bem. 

E esta semana, a crónica de fim-de-ano de um grande jornal europeu, caracteriza o vídeo daquela celebração em Paris, como sensações de Black Mirror que o dr. Google me mandou tirar do Site oficial da Netflix, uma série antológica alucinante, recheada de histórias retorcidas, que revelam as piores caraterísticas dos seres humanos, as maiores inovações e muito mais

Só fiz a pergunta ao Dr. Dúvidas, por a crónica dizer exactamente (Campos Elíseos cheios até aos limites máximos. De gente, mas também de smartphones, para imortalizar uns fogos de artifício a dançar por cima do Arco do Triunfo. Nenhuma pessoa a desfrutar do momento, assim difundido pela rede X. Ali não há abraços, até onde chega a vista, acabada a conta atrás até 2024. Só os tais diapositivos por cima de qualquer cabeça).

O mesmo jornal traz também uma outra notícia a informar haver já há escolas, onde boa parte dos pais até deixou de gravar as festas de fim de ano dos filhos, porque lhes terem garantido que seriam elas a fazê-las. Os artes dos possidentes dos grandes ecrãs, ensaiadas assim com toda a gente, especialmente com crianças digo eu por as gravações individuais também poderem ser vistas como interpretações, e como elas poderiam acarretar críticas, as gravações da autoridade irão evitá-las. Sabemos também que até poderemos ver e comemorar em conjunto tais gravações, no Youtube, no Instagram, ou noutra rede qualquer, receber montanhas de likes, que nos deixarão ufanos e aos garotos também, pois o pequeno ecrã passou a ser a maior fonte da nossa autoestima. 

Aliás, que melhor exemplo se pode ter que o do Presi com fotos e selfies num táxi, numa praia, num passeio, no balcão de um super, de fato completo, de calças ou de calções, para além das oficiais, com gravatas e pendurezas? 

E nem sé preciso gastar dinheiro nas revelações, nem nos álbuns para guardar as cópias! O Instagram é de borla!

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

 

 

Leave a Reply