O titulo também é escrito em letra pequena (as minhas desculpas a George Orwell) porque passaremos a carregar o espião mais completo inventado perlo bicho homem, ao alcance da mão e dentro de qualquer abertura do que tivermos vestido, e até seguro pelos elásticos do calção de banho, ou num bolso do avental da avó, enquanto mergulhamos nas salsas ondas, para roubar a expressão do poeta.
Tudo porque, garantia há alguns a imprensa cá do sítio, a Apple e a Google estão em conversações para que a dona do iPhone, possa instalar nos seus smartphones o Gemini, o modelo generativo de Inteligência Artificial da Google, se conseguirem safar-se dos temidos ‘coca bichinhos’ da União Europeia, sempre à procura de encontrar uma qualquer ‘manigância’ às leis da concorrência cá no continente.
Aliás, estamos a ver cada dia que passa, o triunfo de uma prática de legalidade duvidosa, a de ‘scanear’ a iris de uma qualquer pessoa, a troco de cripto moedas, o que tem levado montanhas de jovens e menos jovens a vender os seus dados biométricos, a troco de coisa nenhuma, debaixo da afirmação de que essa operação aumentaria a confiança para identificar os humanos “de carne e osso”, num mundo cada vez mais dominado pela Inteligência Artificial.
O problema estará apenas num pequeno pormenor, diz Lorena Fernández, catedrática especialista neste domínio, da Universidade de Deusto, ‘Para assegurar a privacidade teriam de se descentralizar os sistemas e, se os dados caírem em mãos equivocadas, qualquer pessoa ficará vulnerável a formas de identificação e mau uso dos seus dados biométricos’.
Por outro lado, ainda ligado a este tema, ‘O mundo imaginado pela razão algorítmica., rege-se apenas pela promessa de satisfazer as nossas preferências, por se supor capaz de as identificar com exactidão. Suspeito que a racionalidade algorítmica implica uma intromissão indevida e uma restrição injustificada, porque, na nossa vontade política assim concebida, serão sempre os outros a decidir, pois se dará por firme o que decidimos alguma vez no passado’, afirma o bem conhecido filósofo e sociólogo, Daniel Inneraryti.
Inneraryti vai ainda mais longe, ‘Os sistemas de recomendação estão fora do controlo dos sujeitos; é apenas uma forma de conhecimento e comunicação, que exclui a auto-reflexão no processo de aprendizagem de si mesmo’.
O economista e professor Pedro Luis Angosto, completa a reflexão de Inneraryti pondo o nome nas coisas, ‘As corporações que controlam as novas tecnologias, influenciam as povoações, na forma de ser, nas opiniões, na mentalidade, muito mais do que possa fazer um qualquer governo, e da sua vontade em viver numa sociedade mais livre e mais justa. Actuam na margem do poder democrático, obrigam, suplantam e impõem obrigações cada vez mais difíceis de assumir, e nocivas para a convivência social’.
E repare-se neste facto: de acordo com Jordi Juan director do ‘La Vanguardia’, a 4 deste mês, ‘a explosão das redes sociais, mudou por completo, o, ecossistema informativo – O New York Times, tem cerca de 10 milhões de assinantes em todo o mundo; a conta X do Trumpa, tem 87,3 milhões de seguidores’– não será mais fácil entender o favoritismo do gadelhas, nas próximas eleições?
Só mais uma informação, para completar aquela com que comecei: dizia o periódico onde agarrei aquela novidade, ‘A empresa de Tim Cook (Apple) estará à procura de um parceiro que possa instalar inteligência artificial no sistema operativo dos seus iPhones, de forma a potenciar o seu uso e oferecer novas funcionalidades’.
Eles aí estão se superarem os tais ‘coca bichinhos’ da EU; aposto que vão ser estes a perder!
António M. Oliveira
Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor


