os velhos jornais
que manhã cedo apareciam pelas mãos do avô
sabiam a uma liberdade que não era.
noite dentro
alguém pesava as palavras antes de chegarem aos olhos.
mesmo assim
os velhos jornais tinham sempre um não-sei-quê
de companheiros de aventuras silenciosas.
o cheiro das letras era uma janela de tinta
que se abria
entre o café e o pão com manteiga.
os velhos jornais liam-se com o vagar de quem procura
uma palavra que está sem estar
ou uma história a sério que passou pelo coador azul.
com eles
o tempo amanhecia-me nas mãos.

