
O DESAPEGO DÓI
De uma maneira geral, o desapego refere-se à habilidade da pessoa se desligar emocionalmente ou materialmente de algo ou alguém. É um conceito importante em muitas filosofias e práticas espirituais, onde é visto como um caminho para a paz interior e para a liberdade pessoal. No contexto material, desapego pode significar não depender de bens materiais para a felicidade. Emocionalmente, pode envolver a libertação de sentimentos negativos ou a aceitação das coisas como elas possam ser, sem tentar controlar os resultados.
A proximidade e o desapego entre pais e filhos têm evoluído ao longo das gerações, influenciados por mudanças sociais, tecnológicas e culturais, e a relação entre pais e filhos e entre avós e netos pode variar significativamente entre as diferentes gerações, como os Boomers, a Geração X, os Millennials, e a Geração Z. Cada geração tem suas próprias características e valores que podem influenciar o nível de desapego nos relacionamentos intergeracionais. Quanto à Geração Alpha ainda é muito jovem para determinar padrões claros de comportamento, mas é provável que a tecnologia continue a desempenhar um papel significativo na forma como eles se relacionam com pais e avós.
Os Boomers, que ainda cá andam e têm algumas dificuldades em entender profundamente o que se passa nos dias de hoje, valorizam a estabilidade e o compromisso, o que pode levar a uma forte ligação cogenZm a família, e tendem a ter estilos de parentalidade mais assertivos.
A Geração X tende a valorizar a independência, o que pode resultar num maior desapego, começou a adotar abordagens mais democráticas, permitindo um certo nível de desapego enquanto ainda mantém fortes os seus laços familiares.
Os Millennials são conhecidos pela sua procura pelo significado e pela autenticidade, o que pode afetar a forma como se relacionam com as suas famílias, enfrentam desafios únicos como pais, equilibrando trabalho e vida familiar, o que pode resultar numa mistura de proximidade e de desapego. São também conhecidos por incorporarem a tecnologia nas suas práticas parentais, o que pode afetar a dinâmica familiar.
Geração Z é muito tecnológica, e isso influencia a forma como se comunicam, e mantêm relacionamentos à distância. Sendo nativos digitais, experimentam diferentes níveis de desapego devido à prevalência da comunicação digital.
Na verdade, estas são generalizações, e o desapego, seja em que relacionamento for, é profundamente pessoal e pode ser influenciado por muitos factores para além do geracional. Variam amplamente entre diferentes famílias, com a cultura, os valores familiares, e com as circunstâncias pessoais.
Comecei a notar o desapego dos “Xennials” cá de casa, no final da década de 80, e culpei-me por isso. Não sabia que esse fenómeno era geracional e generalizado, e que, como de costume, chegava ao nosso país com alguns anos de atraso em relação ao resto do mundo chamado civilizado.
Depois vieram-me os Millenials e a coisa piorou.
Eu, Boomer, mesmo do final do primeiro terço, já vivia em desespero de causa, culpando-me intensivamente pelos acontecimentos que presenciava, e tentava com afinco modificar esse estado. Perdi, aparentemente, todas as batalhas que enfrentei.
Depois chegaram-me os GenZ e por fim os Alfa.
Nessa altura já eu começava a saber que o fenómeno era quase universal, e consegui, com muita ajuda, minimizar o impacto no “meu GenZ”, mas no que respeita aos meus Alfa, nada me diz respeito e o desapego é já uma forma da vida deles, provavelmente sem retorno.
E este desapego, não devia mas, dói.

