Além do Senhores netanyahu, putin, trump, ortega, milei, orban, kim jong-il e muitos outros mais que me dispenso de citar –até em letra pequena e a nível mais reduzido– e dos conflitos que arrastam, mesmo que não se vejam, nem se sintam directamente, este mundo está a contas com outros problemas que deveriam merecer-nos atenção, não apenas dos mandadores das finanças e das justiças, porque, parece também, determinarem os comportamentos políticos e sociais, dos todos os outros frequentadores deste planeta.
Em primeiro lugar, devemos ter em atenção, que a tecnologia está a mudar completamente o nosso modo de viver, não só por ter alterado também, e de que maneira, a maneira de ler e de pensar, até por estarem dependentes uma da outra. ‘Mas é a Literatura e as suas disciplinas afins –a História, Filosofia, Artes (as mais desprezadas, as mais odiadas até mesmo entre a classe docente)– a área do conhecimento que jamais deveria ter sido diluída nas muitas reformas curriculares das últimas décadas’, escreveu o poeta e professor António Carlos Cortez, há uns dias no DN, acrescentando, ‘A Literatura foi posta a um canto e muitos textos e obras fundamentais para os estudantes se sentirem vivos na escola e vivos na vida foram tidos por difíceis, por inacessíveis ou “fora de moda”’.
Uma outra maneira de olhar este tema é a da historiadora, jornalista e escritora norte-americana Anne Applebaum, ao afirmar, no seu último escrito, ‘O mundo democrático está envelhecido, frio e cansado, e esta atmosfera abriu a porta a um fundamentalismo de direita’, que Carol, o antigo director do ‘La Vanguardia’ explica também assim, ‘Ainda temos o livro, para ajudar a crescer os valores que são sustento da democracia’ e, como disse um dia o escritor e crítico literário Simon Leys, ‘Entre dois cirurgiões igualmente competentes, procure que o opere, aquele que tenha lido Tchekhov’.
Um outro problema que nos está a contaminar, não só aqui, mas em qualquer lugar do planeta, foi explicado pelo ex-vice-presidente norte-americano e Prémio Nobel da Paz, Al Gore, numa simples frase, ‘As companhias de combustíveis fósseis, são melhores a capturar políticos que a capturar as suas emissões’, acrescentando um alerta algo dramático, ‘Não podemos destruir a nossa casa. Não podemos ir para Marte de foguete’.
Posso aproveitar para este momento e para estas imagens, uma frase gritada na Câmara dos Comuns por Churchill, ao negar ceder às intenções territoriais de Hitler sobre a Europa, ‘A hora é grande, mas os homens são pequenos’, criticando como o medo de enfrentar a realidade dos problemas, foi a causa de grandes desgraças humanas.
Mas se a Europa não passar de um projecto de ambições lucrativas, os tais mandadores das finanças, das justiças e corporações suas dependentes, ainda se podem gabar de manter este continente à tona da água, mas se o olharmos e quisermos ver como um espaço de direitos e liberdades, tenho muito medo de me sentir como mais um dos membros da orquestra do ‘Titanic’.
António M. Oliveira
Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor