Desafio lançado, desafio aceite. Foi com este poema que António Oliveira participou numa tertúlia na Póvoa do Varzim, no passado dia 24 deste mês. Juntavam-se pintores e poetas. Só podia sair coisa boa!
Do conjunto da tertúlia não sabemos, mas podemos trazer aqui este bocadinho, pela voz de Libânia Moreira.
Olhar um quadro
Olhar um quadro, uma tela,
é tentar chegar à alma do pintor.
É ler os traços, as manchas, as cores,
como se lê a página de um livro,
de uma peça de teatro,
para adivinhar a trama ali urdida;
da esquerda para a direita,
de cima para baixo,
como nos ensinaram na escola,
por o pintor também ter dentro
tais esquemas,
aprendidos como toda a gente.
Mas ele é o criador,
tem as ferramentas da invenção,
sonhos, ideias, utopias,
tem pincéis e tintas e cores.
O Genesis ali, ao pé da gente,
a mostrar,
a mostrar-se,
à espera de um sorriso e,
quem sabe?
de uma lágrima,
de um gesto de enfado,
ou ver alguém à procura de assento,
para o poder ‘respirar’,
inalando a energia toda
vinda daquela tela,
daquele quadro,
onde ele foi menino,
moço e adulto,
só à espera de as pessoas poderem ver,
nas manchas, nas cores,
nos traços e nas sombras,
a criança que continua a ser,
que nunca deixou de ser,
por querer as pessoas
a sorrir, à beira dele.
António M. Oliveira
24 Julho, 2024

