MEMÓRIA SAUDOSA DE UM ARGONAUTA DE EXCEPÇÃO: CARLOS LOURES, por MANUEL SIMÕES

 

Completaria hoje 87 anos o companheiro de viagem, grande dinamizador de projectos editoriais e políticos, que, só por si, tornam a sua memória absolutamente inesquecível. Argonauta dos mais esclarecidos, poeta e romancista de quem muito ainda seria lícito esperar, recordo-o aqui como poeta e amigo, deixando-vos a primeira parte de um texto que tive a honra de escrever, como prefácio ao seu último livro, O Atlas Iluminado, de 2013:

«Relativamente à sua poética anterior – desde A Voz e o Sangue (1967), A poesia deve ser feita por todos (1970) ou O Cárcere e o Prado Luminoso (1990) – em que o discurso actualizava uma praxis e uma dinâmica interna que o iluminava como símbolo totalizante da razão poética, não deixa de ser surpreendente a renovação profunda operada por Carlos Loures no seu fazer poético. Mas o Autor, diga-se desde já, manifestou sempre uma grande disponibilidade para a experimentação de novas formas rítmicas, de novos processos para estabelecer uma relação dialéctica com o real, o que indicia um enriquecimento técnico e um novo aproveitamento da estrutura das imagens, sem que isso determine, de modo nenhum, o “sacrifício” da expressão à intencionalidade de comunicar, porventura uma mensagem de alcance até mais universal».

É uma homenagem ao escritor e ao companheiro, que nos legou uma obra notável e um exemplo de cidadania corajosa, aquela resistência activa (e as prisões deixaram-lhe seguramente sequelas físicas irremediáveis) que foi formando a consciência de muitos que deram vida ao “25 de Abril”.

(Manuel Simões)

 

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