

Li há já alguns dias, que alguém escreveu, depois de Israel ter invadido o Líbano, qualquer coisa como isto (não apontei as palavras exactas), ‘Estamos à beira do abismo devido a uma mudança irresponsável, que procura prolongar a guerra, principalmente no Médio Oriente’. E o mesmo cronista ou uma outra pessoa, num comentário que lhe estava ligado, acrescentou estarmos ainda a correr o risco de assistir ao desmoronamento do pouco que resta da ordem e da paz mundial.
Uma escritora e cronista daqui ao lado, publicou também um texto na ‘Cadena Ser’, falando no castigo que Netanyahu estava a infringir à população civil de Gaza e do Líbano, ‘Onde já morreram, de acordo com a Oxfam, 11.000 crianças, 11.000 Anas Frank que não terão escrito nenhum diário, porque se bombardearam hospitais e escolas e todos os sítios que possam servir de refúgio’, assassinadas só pelo facto de serem palestinas, um castigo que, adianta a escritora, ‘Até tem uma tonalidade bíblica, por estar fundamentado em princípios religiosos, um suposto direito a ocupar terras que outros habitam’.
Mudemos de cenário e vamos até à Rússia. Os jornais anunciam a 3 deste mês, ‘Quatro jornalistas russos começam a ser julgados por terem colaborado com Navalny’. Depois sucedem-se os ápodos costumeiros em situações como esta, depois de em Setembro também já terem colocado no banco dos réus, os três advogados que defenderam Navalny.
Talvez não por acaso, a viúva deste político, opositor declarado do czar russo (talvez seja melhor dizer soviético!), Yulia Naválnaya, ter afirmado numa entrevista ao ‘La Vanguardia’, ‘Os políticos ocidentais devem saber que Putin mente sempre; dirige tudo como o chefe de uma mafia. Não temos tribunais independentes, há uma censura total e, à sua volta, um círculo de multimilionários. Estas pessoas e o próprio Putin, têm jactos privados e alguns dos iates maiores do mundo, adquiridos com o dinheiro da corrupção. O ocidente nunca o deveria tratar como um presidente legítimo’.
Aliás, a historiadora e jornalista Anne Applebaum, também garante no seu último livro, ‘Autocracia.Inc’, acabado de chegar às livrarias, ‘Hoje em dia, as autocracias não são sustentadas por um ditador, mas por redes sofisticadas compostas por estruturas financeiras cleptocráticas, tecnologias de vigilância e propagandistas profissionais, que operam em vários regimes, desde a China à Rússia ou ao Irão. As empresas corruptas de um país fazem negócios com as empresas corruptas de outro’.
Talvez seja bom também, avocar para aqui, e a propósito, as palavras de Albert Camus, na sua obra ‘O homem revoltado’, vindo a público em 1951, ‘Aquele que mata ou tortura só conhece uma sombra em sua vitória: não se pode sentir inocente. Assim, é preciso criar a culpabilidade na própria vítima, para que, num mundo sem rumo, a culpabilidade geral legitime apenas o exercício da força, consagre apenas o sucesso. Quando a ideia de inocência desaparece no próprio inocente, o valor de poder reina definitivamente num mundo desesperado’.
A terminar mais duas afirmações: a primeira da jornalista de um jornal internacional, feita também naqueles dias, ‘Estamos à beira do abismo, por uma deriva irresponsável que procura alargar as guerras. A escalada até põe a nossa frente um dos piores cenários’; a segunda com apenas 5 palavras, foi proferida pelo presidente da Colômbia, Gustavo Petro, na Assembleia Geral das Nações Unidas, logo que se soube da invasão do Líbano ‘Começou o fim da Humanidade’, repetida depois por muitos, quando dos mísseis iranianos atacaram cidades israelitas.
Aqui deixo também uma pergunta que, por motivos óbvios, também nos preocupa a todos os que vivem bem longe dos vídeos de vinte segundos, das redes sociais; se as Nações Unidas não têm capacidade para resolver uma realidade tão aflitiva, agarramo-nos a quê?
António M. Oliveira
Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor
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