Espuma dos dias — Coimbra: Pais protestam contra o uso exclusivo de manuais digitais. Por Patrícia C. Almeida

 

Caros Amigos e Amigas

Desde os tempos do Covid me bati contra a fraude que estava a ser cometida no ensino e em nome do PROGRESSO. Vimo-lo na FEUC com as reformas da criação da Nova Faculdade, vimo-lo com os pontos digitais, vimo-lo com a incapacidade do governo de António Costa responder às questões que o Covid levantava em termos do ensino à distância, vimo-lo com as fraudes nas passagens em massa nas Faculdades deste país e com notas altas, vimo-lo quando se exigiu na escola primária o cumprimento dos programas escolares feitos para tempos normais e quando estávamos em tempos profundamente anormais. vimo-lo quando ninguém levantou um dedo sobre isto, vimo-lo quando esta desgraça de ensino se prolonga no ciclo seguinte para aqueles que entram agora no segundo ciclo.

Vimo-lo, e sentimo-lo na pele. Não posso colocar a minha neta numa escola pública com uso exclusivo de manuais digitais, ou mesmo numa escola privada, este seria o meu último recurso como defensor da Res Pública, onde o ensino tenha qualidade. Vivo em Coimbra, não tenho nenhuma escola perto e quando se chega a isto só podemos dizer uma coisa: estamos cansadas de tanto simulacro de Democracia, pelas mãos de António Costa, este modelo de ensino é por ele criado em Portugal, estamos cansados do discurso a fingir mudanças mas para que tudo fique na mesma, e é isto o que faz o atual ministro da Educação. Será que se trata de lóbis de interesses, entre ministros e editores, para se poupar dinheiro ao Estado, vitimizando nisso quer professores, quer alunos, quer pais dos alunos?

Recentemente dizia-me um amigo meu:

por muitas outras mais razões, estou muito pessimista. (sou a favor dos partidos, mas acredito pouco neles, mas não vejo alternativa).

Não, eu vejo alternativa, é o povo descer à Rua, é o povo manifestar-se, é o povo exigir soluções para ir às urnas, é ficarmos esclarecidos sobre quem são os nossos inimigos, e porque é que o são, é agirmos em conformidade, é contestarmos com honestidade o que de desonesto está a ser feito. Aqui estou a remeter para a ética, porque esta deve ser uma componente da política, o que cada vez se vê menos.

Esta tem sido a minha prática ao longo dos anos, batendo-me contra a degradação do ensino. Curiosamente, os familiares dos alunos da Martim de Freitas em Coimbra estão agora na rua, a manifestar-se contra a digitalização do ensino implantado pelo governo Costa e continuado pelo governo da AD. Vou estar presente.

É tempo de nos manifestarmos e PODER dizer NÃO À ESCOLA COMO FÁBRICA DE CRETINOS DIGITAIS E DEPOIS DIGITALIZADOS.

Aqui vos deixo a notícia do Diário das Beiras.

Júlio Marques Mota

Coimbra, 2 de Dezembro de 2024

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Coimbra: Pais protestam contra o uso exclusivo de manuais digitais

Por Patrícia Cruz Almeida

Publicado por  em 2 de dezembro (original aqui)

 

 

Um grupo de pais realiza hoje um protesto à frente da Escola EB 2,3 Martim de Freitas (sede do agrupamento escolar) contra o uso exclusivo dos manuais digitais.

Durante a ação, que está marcada para as 16H30, os encarregados de educação vão entregar mais de 600 assinaturas de elementos da comunidade educativa contra o uso de manuais digitais, em substituição total dos manuais em papel.

“É urgente que a escola oiça o nosso apelo. Somos a favor do uso de recursos tecnológicos, mas contra a substituição de livros por ecrãs, agravada com todos os problemas operacionais associados ao projeto”, pode ler-se na petição em que os subscritores solicitam que a escola Martim de Freitas abandone “de imediato” o projeto-piloto Manuais Digitais.

“É inaceitável a continuação de uma experiência que coloca em risco a aprendizagem e a saúde das crianças”, referem.

O grupo de pais lembra que em Portugal, no início deste ano letivo, foi noticiado que um terço das escolas abandonou o projeto-piloto e houve uma diminuição, para quase metade, dos alunos participantes.

“Esta saída autónoma das escolas é reveladora de que o projeto não serve os alunos. As próprias direções tiveram consciência disso. Infelizmente isso não aconteceu ainda na Martim de Freitas, que inclusivamente alargou o projeto a novas turmas, para grande descontentamento dos encarregados de educação”, acrescentam.

Na origem do protesto estão os problemas operacionais associados ao projeto piloto que, “condiciona o direito à igualdade de oportunidade”, as dificuldades de implementação do projeto na escola, o excesso de tempo passado à frente dos ecrãs ou a falta de filtros para conteúdos de adultos nos computadores, “podendo as crianças aceder a qualquer tipo de conteúdos na internet.”

 

3 Comments

    1. Caro leitor, para quem acompanha regularmente o nosso blog esta questão não é nova e as reformas que têm vindo a ser introduzidas no ensino (nomeadamente o que se passou com o Covid e outras reformas iniciadas no governo de António Costa) têm sido sistematicamente denunciadas por Júlio Mota. E mesmo que assim não fosse….. mais vale tarde que nunca.

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