Uma Carta a começar com algumas notícias positivas –não para todos– só para benefício dos do costume: I- ‘A banca portuguesa deverá ter o ano mais lucrativo de sempre em 2024, por estar prestes a obter um lucro anual de 6,6 mil milhões de euros’, de acordo com o DN da Consoada, depois de no princípio do mês já ter anunciado; II – ‘Grandes fortunas mundiais aumentaram 121% entre 2015 e 2024 e o número de multimilionários passou de 1757 para 2682, segundo o relatório anual sobre grandes patrimónios elaborado pelo banco UBS’.
Antes de voltar a este tema com novos actores, passem os olhos por outras notícias não tão positivas, seguindo a mesma ordenação: I – ‘O Polo Norte fica sem gelo mais rapidamente do que o previsto e pode ficar sem gelo nos próximos dois anos’, e escreve o ‘Publico.es’ dia 19. ‘China e Rússia usam a rota árctica com barcos de grande tonelagem para levar gás e petróleo com risco ambiental elevado; a China está interessada na passagem do noroeste e a Rússia na do nordeste. A Rússia tem quebra-gelos a abrir a rota para os seus comboios de cargueiros’; nesse mundo da economia e da geopolítica, só procuram ser os primeiros, sem considerar como a falta de gelo irá afectar o clima terrestre e as correntes oceânicas; II – ‘Vão extinguir-se 180.000 espécies devido ao aquecimento global, principalmente na América do Sul, Austrália, Nova Zelândia e norte de África, regiões com muitas espécies endémicas em áreas pequenas, que se desparecerem arrastam um alto risco de extinção’.
Mas voltando atrás, o economista e comentarista Joaquín Estefanía, pergunta dia 11, na ‘Cadena Ser’, ‘Quem não quereria perguntar a todos aqueles privilegiados sobre o risco geopolítico, a emergência climática, quantos deles teriam votado em Donald Trump, ou se se sentem representados pelo mais rico e mais mediático, o Elon Musk?’
Por outro lado e a propósito, o prémio Nobel Paul Krugman, num dos seus últimos artigos no ‘New York Times’, com o título ‘Encontrando esperança numa era de ressentimento’, afirma mesmo ‘Devíamos mantê-la para enfrentarmos o governo dos piores’, uma coisa a que ele chamou kakistocracia, com um som claro e duro a soar como vidro quebrado, um termo usado para descrever o fenómeno político em que pessoas sem experiência ou habilidades, são eleitas para altos cargos no governo.
Mas as coisas podem alargar-se sem controlo, a ver pelo ‘El País’ de 26, afirmando que o eleito norte-americano ‘é um crente firme da teoria de que a melhor maneira de normalizar uma ideia, por muito descabelada que seja, é repeti-la muitas vezes’, e um cronista começa assim um escrito a dar conta de algumas dessas encabeladas ideias –quer comprar a Groenlândia à Dinamarca, que já respondeu não estar à venda, quer controlar o Canal do Panamá, ideou uma ‘invasão branda’ do México e anexar o Canadá– talvez a imitar os sonhos imperiais do seu ‘amigo’ Putin.
No entanto o professor José Mendes garante, entre outras coisas, numa crónica do DN, ‘Os desafios são mais que muitos numa Europa que parece estar sitiada. De um lado, os Estados Unidos ameaçam passar de aliados a ferozes concorrentes. Trump regressou mais legitimado do que nunca. Do outro lado, a Rússia não dá tréguas à Ucrânia e já percebeu que a inacção europeia lhe permite extremar o conflito… Do oriente, a ofensiva económica da China ameaça também fazer estragos numa Europa que cuidou pouco da sua autonomia estratégica’.
Tudo isto me lembra uma ideia de Robert Musil, no seu livro ‘Um homem sem qualidades’, sem conseguir aqui deixar as palavras certas, mas seria qualquer coisa como isto ‘No fundo todos estes casos são como a ponta de um fio; puxa-se por ele, e lá se desfaz o novelo inteiro da sociedade’.
E, na segunda celebra-se o Dia de Reis, como mostra este cartoon do pintor Artur Santos, com o significado que a celebração terá para cada um.
Artur Santos
Adoração dos Reis Magos
Não me importo de mais uma vez me socorrer do padre e filósofo Anselmo Borges pois, numa das últimas crónicas do DN, citou Mahatma Gandhi, por ter afirmado ‘Jesus foi um dos maiores mestres da Humanidade. Não sei de ninguém que tenha feito mais pela Humanidade do que Jesus’; Mas acrescentou, ‘O problema está em vós, os cristãos, pois não viveis em conformidade com o que ensinais’.
António M. Oliveira
Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor
Meu caro António!
As tuas palavras são confortáveis para o racional. Agradeço à Deus por ter este espaço que ós Argonautas põe luz nestes dias apocalípticos.
As palavras nem são minhas, só as vou juntando, por terem origens diferentes, mas de gente responsável e que vou lendo cada dia.
Um abraço e o meu obrigado por o que escreveu!
A.O.
Meu caro António!
As tuas palavras são confortáveis para o racional. Agradeço à Deus por ter este espaço que ós Argonautas põe luz nestes dias apocalípticos.
As palavras nem são minhas, só as vou juntando, por terem origens diferentes, mas de gente responsável e que vou lendo cada dia.
Um abraço e o meu obrigado por o que escreveu!
A.O.