Está frio, bastante, muito, e o sol ainda não entra, janela adentro, para me aquecer os ossos.
Olhei o termómetro que lê os graus lá de fora. Marca 3, e cá do lado de dentro dos vidros, marca 8. Penso que tenho de aquecer o ambiente, mas a letargia que a temperatura e a hora madrugadora me provocam faz-me aconchegar à manta que me cobre as pernas e não me mexer, a exemplo das árvores que olho através da janela da sala.
Nada bole. A natureza parece uma fotografia, de estática que está. Como eu! Penso que se pestanejar, um frio fininho vai entrar por um qualquer lado menos protegido, e me vai arrepiar.
Do silêncio só posso pensar que hiberna, letárgico, de tal modo que nem ele se ouve. Só o meu pensamento e o meu pestanejar dão prova de vida. De repente o troar longínquo dos motores de um avião rasga por momentos tanta quietude.
E dos pássaros, que dizer deles, sempre por aqui, andando de um lado para o outro. Nada, foram-se, ou ainda dormem no sossego dos seus ninhos. É que nem um passa por aqui!
O sol nasceu faz uma hora e pouco, é compreensível tanta calmaria. Ainda é cedo. Nem o calorzinho deste sol de Janeiro acordou ainda, e nem me mexo para que tudo se mantenha assim.
Fecho os olhos, o sol já quase entra pela janela. Preparo-me para o receber condignamente.
Já me toca os pés… e as pernas. E um calorzinho bom, começa a subir por mim acima.
É Domingo, dia de descanso dos guerreiros da vida!