Este ano, 75º aniversário de Pedro Barroso
Pedro Barroso: Homenagem a um lutador pela Liberdade!
por Carlos Pereira Martins
Se há nomes que resistem ao tempo, Pedro Barroso é, sem dúvida, um deles. Ao homenageá-lo, não estamos apenas a recordar um cantor, um poeta ou um compositor. Estamos a celebrar um homem que fez da sua arte uma trincheira, uma pátria, uma casa onde a portugalidade se espreguiçava sem medo do futuro. A sua voz não era só um instrumento, era uma bandeira, um eco de verdades, umas vezes doces, outras cortantes como navalhas bem afiadas.
Pedro Barroso não era um cantor qualquer. Não se deixava levar por modas, nem fazia concessões ao mercado. A sua música não vinha para adormecer consciências, mas para despertá-las. Cantou o amor, a amizade, a saudade e a resistência com a mesma intensidade com que abraçava a sua terra e o seu clube do coração. E, claro, sempre com aquela pitada de ironia que lhe era tão característica. Quem não se lembra de “Menina dos Olhos de Água”, talvez a sua canção mais conhecida, mas também de pérolas como “Viva Quem Canta”, um hino ao espírito livre e à música que desafia? Ou ainda “Quem Me Compra um Barco”, um lamento travestido de humor cáustico sobre a vida e as suas contradições?
Mas Pedro Barroso era mais do que um trovador solitário. Partilhou palcos, sonhos e canções com alguns dos maiores vultos da música portuguesa. Cantou com José Afonso, numa cumplicidade de vozes que carregavam a liberdade como um fardo e um privilégio. Cruzou-se com Sérgio Godinho, Fausto e José Mário Branco, fazendo parte dessa linhagem de músicos que nunca precisaram de pedir licença para dizer o que lhes ia na alma. Estava naqueles que não se limitavam a fazer canções, mas a erguer autênticos manifestos musicados.
E, como todos os que têm raízes fundas, Pedro precisava de terra firme para se agarrar. Encontrou esse refúgio na sua casa em Riachos, um pedaço do Ribatejo onde o tempo corria ao ritmo dos seus pensamentos. A quinta foi o seu abrigo, o seu estúdio, a sua trincheira. Com Manuela, entre árvores e horizontes largos, encontrava a matéria-prima para as suas canções e os motivos para a sua teimosia em continuar a acreditar num Portugal melhor. Foi ali que escreveu, compôs e, sobretudo, viveu como quis: de cara levantada e sem nunca se desviar do que lhe parecia justo e verdadeiro.
E se há algo que nunca traiu, além da música e da sua terra, foi o seu azul. Pedro Barroso era Belenenses até ao osso. Não daqueles que mudam de camisola conforme os ventos da vitória, mas dos que se mantêm fiéis, mesmo quando a maré é brava. E essa fidelidade ficou marcada para sempre no hino oficial do Clube de Futebol “Os Belenenses”, uma composição que não é apenas um cântico de estádio, mas uma afirmação de identidade. A sua voz ainda hoje ressoa no Restelo, onde cada letra, cada acorde, continua a lembrar que o Belenenses não é só um clube, é uma história, um sentimento, uma paixão azul que nunca desbota.
Pedro Barroso partiu, mas nunca nos deixou realmente. Está em cada acorde que ainda ouvimos, em cada verso que ainda citamos, em cada memória que ainda nos arranca um sorriso. Porque há vozes que não se apagam, há palavras que não se perdem e há homens que, mesmo depois de partirem, continuam a fazer parte de nós.
Pedro, o Restelo continua a ouvir-te. O Ribatejo ainda te sente. E Portugal nunca te esquecerá. Obrigado por tudo.
Pedro Barroso e Carlos Pereira Martins


