UMA CARTA DO PORTO – Por José Fernando Magalhães (682)

 

 

Primavera 2025

 

Foi há dias. Entrou a nova estação.  Chegou a Primavera.

Pobre e triste Primavera, a deste ano.

O mundo ensandeceu!

As pessoas perderam o pouco da empatia e preocupação que ainda lhes restava. Mais depressa e facilmente actuam em prol de gatos ou cães ou cavalos ou touros, ou do ambiente, do que das pessoas. 

Só se actua por reflexo e para ficar bem na fotografia. Percentualmente são residuais quantos actuam por genuína preocupação com o seu semelhante, e o fazem anonimamente. As redes sociais, as reportagens das televisões e as parangonas dos jornais, são chamarizes muito apelativos para fazer propaganda a empresas, a grupos ou a pessoas carentes de atenção. Ao menos que isso sirva para que façam algo de bom, mas é uma tristeza e uma vergonha que só o façam por essas razões. 

E depois temos as guerras, ou a guerra, que no fim de contas ela é só uma, dirigida por interesses económicos, camuflados de desculpas esfarrapadas sobre etnias, religião, direitos ancestrais, e até ofensas feitas por palavras, acções ou olhares enviesados. Estamos em guerra! Não só na Ucrânia ou em Gaza, mas em todo o mundo. Nuns lugares, com combates mais acirrados do que noutros, mas em guerra generalizada. Em guerra, em todos os sectores da nossa vida!

Todas as guerras são injustas, provocam morte, sofrimento, deslocados, e pessoas cheias de razões, de um lado e do outro. E milhões de outros que, por vias das informações que recebem, tomam posições extremadas e fazem outras guerras menores (na sua maioria atentados sobre gentes inocentes) nos locais onde, longe da guerra e da facção que supostamente defendem, se acomodam.

E há ainda os mandantes dos países, incluindo o meu, que só fazem o muito pouco que fazem, por pressão das redes sociais e da propaganda que existe à volta destas guerras.

E depois, ainda, vivemos internamente uma disputa sobre o poder, que desceu às catacumbas sombrias da total falta de sentido de Estado, e que nos vai levar, mais uma vez, a gastar milhões, que muita falta nos fazem, e paciência para aturar estes tipos, que começa a faltar, numas eleições que ninguém de bom senso quer.

É lamentável e vergonhoso!

Claro que há muita gente boa. Ainda há, Graças a Deus! Muita gente boa que tudo deixa para ajudar quem precisa. E são essas pessoas boas que me seguram, e me fazem não ter ainda perdido toda a esperança na humanidade.

E como dizia o poeta Galego, “O Caminho Faz-se Caminhando”. 

Façamos pois, um bom caminho, cheio de solidariedade, amor pelo próximo, e esperança em dias melhores.

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