CARTA DE BRAGA -“de zombies e da verdade” por António Oliveira

Quer se queira quer não, o Tio Sam de cabelo exagerado e pele de cenoura, com gravata vermelha até ao meio das pernas, ‘comanda’ hoje as notícias de todos os órgãos de comunicação social, até daqueles que o fingem ser, tanto pelos patrões que têm, como pelos servos que os acolitam, e pelas coisas que põem cá fora.

A maioria das vezes até não são coisas simpáticas, muito menos para os seus indefectíveis que só pensam à direita, que nunca poderiam aceitar um título como este, no ‘La Vanguardia’ de 23 do mês passado, ‘Trump, o zombie que quer sorver e soprar ao mesmo tempo’, para explicar a seguir, ‘O ponto forte é o diagnóstico, ecoando o desespero das classes médias dos states, e a preocupação das elites financeiras, que sentem o terreno tremer debaixo dos pés. Mas Trump só oferece dor e raiva’, nas palavras do director-adjunto daquele diário, Manuel Pérez.

Na base uma incoerente visão imperial ‘Make America Great’ que não sabe como conseguir –Cedendo meia Europa a Putin? Abandonar os aliados se não para de falar? Enfraquecendo o dólar que perde força nos mercados e poderá entrar numa queda em picado?– é esse o tal zombie que quer sorver e soprar ao mesmo tempo, uma mistura de populismo fascistóide com um governo do dinheiro!

E aquele ‘ceder meia Europa a Putin’, quererá dizer o quê? Será um amaciar das tensões entre os dois? Será a tentativa de acabar com as dúvidas geopolíticas do Kremlin em relação ao Pentágono, apesar de serem as maiores e mais poderosas potências nucleares do planeta? Será também, e até, a maneira de amainar a pressão dos aliados das NATO, devido ao drama da Ucrânia? Ou então, como diz Daniel Innerarity, ‘Numa sociedade democrática deve haver governo e devem estar activas as correspondestes resistências a quem governa!’ Não estarão os dois a querer sorver e soprar ao mesmo tempo?

E o cronista Lluís Foix, escreveu também no sábado, sob o título ‘A globalização dos negócios’, uma verdade quase insofismável, ‘As regras do jogo mudaram e novos critérios regerão as relações internacionais. A OTAN não precisa mais se defender de hipotéticos ataques russos, já que Donald Trump trata Vladimir Putin com a simpatia de um governo amigo’.

A ‘Yahoo.news’ adianta no passado domingo que o especialista e economista da Purdue University, afirmou que o seu estudo sobre as tarifas tinha sido mal usado na planificação da sua aplicação, mas ‘não foi o único economista com escrúpulos a criticar como o seu trabalho foi usado para elaborar o esboço tarifário da Casa Branca’, e até Musk , criticou publicamente o conselheiro de Trump para comércio, Peter Navarro, que ajudou a moldar a política de tarifas recíprocas que afundou mercados em todo o mundo.

Mas, ainda na ‘Yahoo.news’ do passado sábado tirei este apontamento: ‘O veterano jornalista e ex-âncora do ‘CBS Evening News’, parece ter tocado num ponto sensível no princípio da semana, compartilhando no Facebook um post dirigido à agitada administração de Trump, com quase um milhão de ‘likes’ e mais de 60.000 comentários, com um provérbio turco que se tornou viral –Quando um palhaço se muda para um palácio, ele não se torna um rei, o palácio se torna um circo’.

Talvez a explicação para todas esta coisas já tenha sido dada pelo filósofo Karl Jaspers nos anos cinquenta, ‘Nossas perguntas e respostas são parcialmente determinadas pela tradição histórica onde nos encontramos. O problema crucial, é que a filosofia aspira à verdade total, que o mundo não quer’.

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

 

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