CARTA DE BRAGA – “não aos tanques e ao ódio” por António Oliveira

“Todas e todos nós, os abaixo assinados, académicos, jornalistas, activistas, tecnólogos e representantes da sociedade civil, pedimos ao presidente espanhol e à Comissão Europeia, que apoiem o investimento em infra-estruturas digitais públicas, e o uso de protocolos abertos, para que a tecnologia sirva melhor os cidadãos europeus, as pequenas e médias empresas e as democracias.

Sob a nova administração dos EUA, a Europa foi injustamente acusada de minar a liberdade de expressão, ao tentar regulamentar a operação dessas empresas de tecnologia e, entretanto, a crescente estupidez antipolítica é amplificada por algoritmos opacos, que incentivam a disseminação de fraudes, mentiras, conteúdo extremista e vozes de extrema direita, bem como a supressão de vozes alternativas.

O domínio de um punhado de gigantes do Silicon Valley, aliados do presidente dos EUA, que acaba de declarar guerra tarifária a todo o planeta, está impondo uma visão de mundo brutal e enlouquecida, que a professora de Economia Ecológica em Lausanne, Julia Steinberger, acaba de definir como ‘capitalismo de cataclismo’”.

Começava assim uma Carta Aberta dirigida para o Presidente espanhol Pedro Sánchez e para a presidente da Comissão Europeia, onde se salienta que, a ver por tudo o que se discute agora, armamento, percentagens do PIB e tarifas, mais a acção sem controlo do narcisista arrogante que se julga dono do mundo, ‘A Europa não precisa comprar mais tanques ou incentivar guerras, mas empreender planos de investimento e criar novas ferramentas, para realmente democratizar as redes, treinar e educar melhor os jovens e lutar seriamente contra a nova/velha hegemonia cultural, que fez da indústria da desinformação, manipulação e ódio, um agente político global’.

A acrescenta mais que gastar em armas, segurança e Inteligência Artificial, não vai afastar a extrema direita, nem melhorar o nível de vida das pessoas, nem acabar com as secas e as cheias, elas consequência do aquecimento global, nem os milhares de pessoas que, por tudo isso e pela destruição e ruínas, fogem sem rumo das terras onde nascerem os seus ancestrais e eles pensavam criar filhos e netos.

E pede ainda a estatuição de uma infra-estrutura digital que seja pública, já defendida por algumas instituições como a Associação Europeia de PME’s de Tecnologia, para garantir uma base tecnológica livre, independente e pública, com as qual se poderia criar e divulgar redes sociais e outros aplicativos, verdadeiramente sociais e comunitárias.

E, a terminar mais uma série de sugestões –promoção incentivos fiscais para fundações e associações de interesse público, que combatam a indústria do ódio e da desinformação– para unificar outras iniciativas semelhantes em toda a Europa, financiando-as com fundos de tecnologia e aqueles da defesa.

Nos promotores desta Carta Aberta, encontram-se cientistas e outros académicos, juristas, escritores, cooperativas, jornalistas e activistas de associações diversas, Fundações de todo o tipo e mesmo a ‘Casa José Saramago’.

Esta tremedeira aumentada agora estupidamente por um fulano que nem sabe o que quer dizer ética nem princípios, leva-me a avocar Hannah Arendt, por ter deixado escrito em ‘A Banalidade do Mal’: ‘Cada fim da história constitui, na verdade, um novo começo; esse começo é a promessa, a única ‘mensagem’ que o fim pode produzir. O começo, antes de tornar-se acontecimento histórico, é a suprema capacidade do homem’.

Mas não se pode contar com o tal narcisista no seu império imaginário, para isso!

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

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