A estória tem talvez um mês, mas vale a pena pegar nela mais uma vez, para se ver bem o fulano que tem quarto com casa da banho privativa na Casa Branca, que creio ser o palácio real do lado da lá do charco; e a tal estória conta que os correspondentes autorizados pelo tal fulano a ter acesso à tal Casa, em conversa sobre os últimos acontecimentos, ainda sem a assinatura garrafal do tal fulano, desde a Wall Street, à Gaza ou à Bolsa de Tóquio, foram convocados para o Salão Oval (o das assinaturas), para testemunharem um novo slogan, a última criação do tal fulano, ‘Make Shower Great Again’, ao mesmo tempo que uma secretário lhe mostrava a pasta que ele deveria assinar.
Olharam uns para os outros, a tentar adivinhar que nova arma seria aquela, quando o tal fulano ‘Os chuveiros nas casas americanas, depois de anos de ditadura woke, em que o chuveiro regulava o fluxo de água para um gotejamento ridículo, este memorando vai pôr fim às dificuldades. Não sei como explicar, mas é como se isso fosse inevitável’ e, acrescentou, que num país com tanta água, do lago Michigan, ao Rio Mississípi e ao Oceano Pacífico, ‘há pessoas que compram casa e não sai água, pois os americanos devem ter liberdade de escolher chuveiros, sem interferência do governo’, e pespegou-lhe a sua assinatura, a que sempre mostrou com orgulho, como criança que mostra o seu fantástico desenho.
Smialowski/AFP ‘Trump não assina; carimba’
‘Le Monde’, 25.04.27


