Esta manhã, segunda feira, dia 19, alguém me leu, uma frase de uma qualquer página do Facebook que olhava– A formiga com medo da barata, votou no insecticida. Morreu todo o mundo, até o grilo que se tinha abstido– e não deixei de a ligar à situação com que me encontrei logo quando acordei e liguei o transístor.
Depois corri os jornais, daqui e lá de fora, e apontei um título para esta Carta: ‘Eleições portuguesas: Montenegro mantém-se, o Chega emerge e o Partido Socialista entra em colapso. Os conservadores estão consolidando sua posição sem maioria, a extrema direita empata com o Partido Socialista, e um cenário político fragmentado como nunca antes, desde a Revolução dos Cravos’.
Esta mesma ideia é retomada por muitos outros jornais, de diversas origens e orientações políticas e ideológicas, mas não posso deixar de salientar a do historiador Pedro Luis Angosto, da Universidade Complutense, ‘De alguma forma, nas últimas duas décadas, coincidindo com o surgimento das media sociais e a ascensão do novo Deus telemóvel, multiplicou-se o número de bárbaros e indolentes, i.e. pessoas que acreditam que tudo o que precisam está ali, e a vida fora dele não vale a pena ser vivida. Essa massa amorfa assumiu gradualmente uma forma reaccionária e, ao mesmo tempo perdeu as faculdades relacionadas com a empatia, a compreensão e a interiorização do sofrimento alheio’.
O médico e cientista italiano Lamberto Maffei, no ensaio ‘Elogio da Rebeldia’, escreve uma sentença que bem pode explicar tudo isto, ‘O homem na rede da grande aranha não é um homem livre, está ligado para receber continuamente sugestões, ordens. É como se pertencesse, inconscientemente, a uma poderosa associação da qual é difícil sair. A rede de comunicações é a gaiola invisível da liberdade de pensamento e originalidade’.
E nem quero falar de uma trumpada sem orelha ou de boçalnarada sem canivete, devo antes escrever de um arroto entupido com fotos de pensos e relógio sem guardas pessoais, para não universalizar as imagens do acontecimento, apesar de acreditar ter sido uma jogada bem ensaiada, mas a originar um terramoto político no paraíso criado pelo Senhor Sousa, com casa a prazo ali perto do Tejo, junto a um mosteiro com história e da Casa dos Pasteis de Nata, também com lugar na história deste país.
De qualquer maneira ainda há gente boa que pensa e diz ‘Não é normal ter um país no qual a direita se radicalizou e que está num crescendo muito grande e em que esquerda esteja a decrescer’.
Os próximos tempos e os próximos líderes, se souberem ultrapassar as intromissões alheias, vão ter muito para fazer e também estar atentos, tanto mais que ‘Há uns 20% de probabilidade de que o seu voto tenha sido em vão. No Interior então, nessa percentagem quase metade dos votos podem ter ido para o lixo. No total, cerca de 1,3 milhões de votos nas últimas legislativas terão ficado sem representação parlamentar, com se afirma num estudo do matemático Henrique Oliveira, do Instituto Superior Técnico. Isso corresponde a mais de 20% do total, com os territórios do interior e a emigração entre os mais penalizados’, de acordo com a crónica de Rui Frias, também no DN de hoje.
Alguém tem de manter o tino e a atenção a todas as jogadas que se irão pôr nos vários terrenos, e nos próximos tempos!
António M. Oliveira
Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor