Europa, sonho futuro! Europa, manhã por vir, fronteiras sem cães de guarda nações com seu riso franco abertas de par em par!
Europa sem misérias arrastando seus andrajos, virás um dia? virá o dia em que renasças purificada? Serás um dia o lar comum dos que nasceram no teu solo devastado? Saberás renascer, Fénix, das cinzas em que arda enfim, falsa grandeza, a glória que teus povos se sonharam – cada um para si te querendo toda?
Europa, sonho futuro, se algum dia há-de ser! Europa que não soubeste ouvir do fundo dos tempos a voz na treva clamando que tua grandeza não era só do espírito seres pródiga se do pão eras avara! Tua grandeza a fizeram os que nunca perguntaram a raça por quem serviam. Tua glória a ganharam mãos que livre modelaram teu corpo livre de algemas num sonho sempre a alcançar!
Europa, ó mundo a criar
Europa, ó sonho por vir enquanto à terra não desçam as vozes que já moldaram tua figura ideal! Europa, sonho incriado, até ao dia em que desça teu espírito sobre as águas!
Europa sem misérias arrastando seus andrajos, virás um dia? virá o dia em que renasças purificada?
Serás um dia o lar comum dos que nasceram no teu solo devastado? Renascerás, Fénix, das cinzas do teu corpo dividido?
Europa, tu virás só quando entre nações o ódio não tiver a última palavra, ao ódio não guiar a mão avara. à mão não der alento o cavo som de enterro dos cofres dirigindo o sangue do rebanho – e do rebanho morto, enfim, à luz do dia, o homem que sonhaste, Europa, seja vida!