O PODER QUER SEMPRE MAIS PODER… por Luísa Lobão Moniz

 

Quando um ser humano nasce não nasce nem bom nem mau, não nasce racista, não nasce xenófobo, não nasce violento, nasce sim com a capacidade de ser agressivo.

Quando se sente ameaçado e em perigo, tem medo e recorre à agressividade para se proteger não só fisicamente como para poder continuar a viver com as suas convicções, com os seus valores sociais e morais.

A agressividade nasce com o ser humano, faz parte da Humanidade, mas a violência é um comportamento socialmente aprendido que tanto serve para se defender como para atacar o Outro, individual ou coletivamente. O horror à diferença também é adquirido socialmente, para defesa de uns que atacam outros por diversos motivos, sendo esses motivos baseados essencialmente no medo.

Se houver um grupo étnico em minoria, a hostilidade torna-se um comportamento facilmente adquirido por elementos da etnia maioritária que não deseja que certos patamares sociais sejam ocupados por aqueles que são diferentes, que não admite que lhes, venham tirar os seus postos de trabalho, esquecendo-se que são ocupados por imigrantes que aceitam seja o que for para poderem sobreviver sendo humilhados, perseguidos pela polícia, por populares, por meios de alguma comunicação social. Os empregadores, para fugirem aos impostos, pagam miseravelmente o tempo do trabalho dos escravos do século XXI.

Não há valores absolutos a não ser a liberdade de se optar pelo que mais convém a cada ser humano, a liberdade de aceitar ou não diferenças visíveis como a cor da pele, o vestuário, a comida, a religião, o agrupamento familiar, as regras culturais dentro da família, o luto, a iniciação à idade adulta, ao ritmo de trabalho…

E porque se misturam grupos étnicos diferentes, sendo o visivelmente
maioritário, aquele que detém o poder e que quer moldar uma sociedade democrática ou uma sociedade sem liberdade para viver acima, muito acima do cidadão comum, par se tornar milionário ou dar satisfação aos seus luxos e caprichos mundanos enquanto outros morrem nas guerras começadas por eles, que morrem de fome…

O poder leva a que se queira sempre mais poder como o de anexar, pela força, os territórios que lhes estão mais perto ou até mais longe, veja-se o caso da invasão da Ucrânia pelo poder Russo ou, há mais de 50 anos, nos anos 60 do século passado, as Guerras Coloniais na África “portuguesa”.

Aqueles que eram violentamente reprimidos nas suas terras, e como qualquer ser humano, procuram sempre uma vida melhor, começam a imigrar para outros países.

Na generalidade são os mais pobres, os mais vulneráveis … que aceitam propostas desonestas de transporte, de emprego, de legalização, de habitação, de reagrupamento familiar (tanta mentira, tanta ganância!)

Entram noutros países clandestinamente, já explorados por outros em termos de dinheiro para fazerem a viagem e tornarem-se no que nunca mais se tornam, legais no país dito de acolhimento.

Viver onde? Na rua, ou à vez, em quartos alugados em que dormem em camas que são libertadas para que outros as ocupem durante umas horas e se levantem para que outros possam também dormir… Como pode a sociedade maioritária fechar os olhos, ou mandar a polícia encosta-los à parede para os revistarem e prendê-los porque estão ilegais em vez de agilizarem a sua legalidade e castigar todas as redes que exploram estes seres humanos que apenas querem viver…

Estas pessoas, para além das péssimas condições de vida e de trabalho, não têm possibilidade de se lavarem, de trocarem de roupa ( onde está a roupa?

Nos caixotes do lixo?) e, assim se vão tornando cada vez mais diferentes. Não vão à escola porque não estão legais. Não têm trabalho porque não estão legais…enfim, tudo o que fazem é ilegal, tudo o que fazem é debaixo de opressão de outros, quantas vezes dos mesmos países…

O ser humano não sabe o quanto faz sofrer outro ser humano porque se move por valores materiais criados pelo capitalismo em declínio, ou por valores que hipoteticamente lhes vão conferir mais poder, nem que seja o poder de explorar outros seres humanos.

A Natureza humana é complicada de se entender, apesar de cada vez mais se compreender os processos que podem ou não potenciar estes
comportamentos. O cérebro humano tem revelado, através de estudos da neurologia, como muitas das atitudes são despoletadas por estímulos exteriores e que fazem com que se tome esta ou aquela decisão.

As emoções e os sentimentos determinam muitas vezes as nossas tomadas de decisão. Sabemos que o racismo defende que há etnias (não raças, que como já foi demonstrado não existem entre os seres humanos) superiores e que essas é que devem mandar no mundo.

O racismo leva ao xenofobismo. O preconceito racial pode levar à discriminação que se pode expressar individual ou coletivamente através de ações administrativas ou institucionais É preciso dar um jeito, é preciso levar a cultura a todos, é preciso reconhecer as diferenças como uma mais valia, é preciso avisar toda a gente que o
racismo e a xenofobia não são exclusivos da etnia branca. Hoje sou explorador e opressor, amanhã posso ser o oprimido, o ilegal, o novo escravo. Estes comportamentos são aprendidos socialmente, não nascem nem morrem com as pessoas, nascem com as regras sociais criadas pela Humanidade.

Cuidado com os movimentos de extrema direita que estão a deitar a cabeça de fora, à espera que o ódio e o medo se apoderem das pessoas. Hoje as redes sociais tomaram um poder tal que são capazes de fazer da Paz, do bem-estar um sonho a abater.

Aproveitem a Feira do livro para consultarem ou comprarem livros que nos ensinam como as sociedades se podem organizar tanto na defesa da democracia, como no organizar sociedades totalitárias.

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