CARTA DE BRAGA – “populismos” por António Oliveira

Começo por citar as palavras da página do FB, de uma professora e jornalista que me apontaram, pela lhaneza e assertividade na escrita, Maria João de Santis, que até parece terem vindo a ajudar, em pleno, o tema por mim escolhido para ‘falar menos bem’, nestes dias quentes do fim de semana, por nem me apetecer sair do meu território, numa espécie de recolhimento espiritual, e que as temperaturas também ajudam!

E li, na tal página de Maria João Santis, que o primeiro ministro no congresso do PP daqui ao lado, ‘despe o fato institucional e veste a farda do populismo securitário. Fala em espanhol, como se isso lhe emprestasse uma aura europeia, mas o conteúdo é o de feira local’ e atira para cima do PS deste lado, a culpa de tudo, desde a saúde ao trânsito, e até ao tempo!

Logo a seguir o primeiro ministro deste lado de cá, resolver assumir o catecismo da direita que nos coube cá neste lado, mas também por aquele do lado de lá – mais polícia, menos emigração e menos estado social– um catecismo com o brilho rutilante do CDS e apoio do Ventura, a juntar ao do Abascal e do Orban. Coisas do senhor primeiro ministro deste lado, que no lado de lá estava só o senhor Feijó!

Ah, é verdade, o primeiro ministro do lado de cá, tem por nome Luís Montenegro Esteves, com mais uns apelidos no meio, mas, por uma razão qualquer, não usa o nome do pai que, por acaso, até trabalhava no mesmo edifício onde eu gastei os meus últimos anos da minha vida a trabalhar como jornalista, numa empresa de comunicação.

Vem a propósito lembrar um trecho tirado de um post de 9 de Dezembro de 2012, no ‘Duas ou três coisas’, um blog do embaixador Seixas da Costa. O trecho tirado de que não cortei nem acrescentei qualquer palavra, reza assim:

No tempo de Salazar, tantas eram as notícias que relatavam que ‘o senhor presidente do Conselho esteve ontem em visita a …’ que, no léxico da oposição mais moderada, o ditador era designado pelo “Esteves”.

Mas este é o tipo de anedota que não se consegue traduzir. Por um lado, ainda bem: evita lembrar que, há poucas décadas, nós também vivíamos assim. Às vezes, há quem pareça esquecer isto”.

Aproveito mais um parágrafo do texto de Maria João de Santis, para terminar esta Carta, mas trocando só um nome, porque são outros tempos e outros catecismos, como eles não cessam de nos lembrar.

A ‘nova maioria’ que hoje governa Portugal, em nome de uma suposta regeneração do Estado, não é senão uma coligação de conveniências, de cálculo e de traição. O CDS, reduzido a eco de um tempo que já não existe, ressuscita ao colo do PSD para dar verniz centrista a uma governação que se vai tornando crescentemente iliberal. E o Chega, esse, cresce na sombra e no grito, ditando o tom e a agenda, enquanto o senhor doutor Esteves, finge que governa de olhos fechados”.

Outros catecismos, outros profetas ‘por café é que nos salva!

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

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