LOUCURAS NO PLANETA TERRA: PODE O “SAPIENS” AINDA GARANTIR A SUA SOBREVIVÊNCIA? E, SE SIM, POR QUANTO TEMPO MAIS?
por José de Almeida Serra
1 – INTRODUÇÃO
Qualquer ser pensante verifica as várias barbaridades que em diferentes aspectos os humanos vêm fazendo e cuja atenção se esgota nos noticiários de diferente natureza, mas que vêm revelando as sucessivas e cada vez mais graves catástrofes que acontecem no Planeta. De facto, quem assiste aos noticiários televisivos vai sendo informado de situações terríveis, e cada vez mais graves, que há duas décadas eram pura e simplesmente impensáveis. Será que o “sapiens” ainda faz parte de uma espécie humana?
Todas as organizações internacionais reconhecem que há que alterar imenso em diferentes áreas e imediatamente.
Segundo nos diz a Internet, nove itens essenciais para a sobrevivência humana na Terra podem ser considerados: água, comida, abrigo, fogo, ferramentas, roupas, primeiros socorros, comunicação e conhecimento. Estes itens são cruciais para garantir a sobrevivência em diversas situações, desde ambientes naturais até cenários de emergência.
Os limites planetários representam pontos críticos que, se ultrapassados, podem desencadear mudanças irreversíveis na vida no planeta Terra. Os nove limites planetários foram inicialmente propostos em 2009 por um grupo de cientistas liderados por Johan Rockström e Will Steffen. Esses especialistas identificaram nove factores ambientais essenciais para manter o equilíbrio ecológico da Terra, com o objetivo de monitorar e garantir a sustentabilidade do nosso planeta:
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Mudanças climáticas;
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Acidificação dos oceanos;
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Destruição da camada de ozono;
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Perda de biodiversidade;
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Escassez de água doce:
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Uso do solo;
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Poluição química;
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Ciclo do fósforo;
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Ciclo do nitrogénio.
De acordo com um estudo da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, seis dos nove limites planetários fundamentais para um planeta seguro e estável foram ultrapassados. O estudo foi publicado na revista Science Advances, e destaca que as alterações climáticas, perda de biodiversidade, degradação do solo, desequilíbrios nos ciclos de fósforo e nitrogénio, escassez de água doce e proliferação de produtos químicos sintéticos já excedem os limites planetários. Alguns exemplos de um bisavô português: em criança não havia fogos no Verão, as águas na natureza eram limpas, os mares convidavam a refrescantes banhos no Verão, sem perigo de qualquer poluição, pescava-se simplesmente e sem quotas bacalhau nos mares nórdicos (os pescadores dos Açores até tinham, reconhecidamente, duas famílias, uma no Canadá e outra nos Açores que, por norma, até se visitavam com alguma frequência e se davam lindamente) e a pesca da sardinha era completamente livre. Rios conspurcados? Nem pensar. Serranias sempre limpas e ausência de fogos. Para quem estudava era necessário aprender e saber para ir progredindo. Seria possível que um indivíduo com o antigo 7º ano (hoje 12º) para calcular o troco de uma nota de 20€ para pagar 15,40, tivesse de recorrer a uma máquina de calcular como aconteceu comigo numa bem frequentada bomba de gasolina há uma semana?
No trabalho que segue apresentaremos alguns dados relativos à evolução da riqueza e pobreza no Planeta, mas há que precisar o seguinte:
Os dados utilizados são variáveis ao longo do tempo e às vezes, para uma mesma data ou período, não são coincidentes nas diferentes fontes. Optou-se por não uniformizar (há, em qualquer caso, e quando isso acontece, grande proximidade).
Havendo diferentes definições para a palavra bilião e trilião optou-se por usar como nos EUA: bilião = 1.000.000.000 (1 seguido de 9 zeros, 10^9) esquecendo a versão portuguesa, Portugal: bilião = 1.000.000.000.000 (12 zeros, 10^12). Para trilião seguiu-se idêntico caminho EUA: 1 trilião = 1.000.000.000.000 (1 seguido de 12 zeros; 10^12), esquecendo a versão portuguesa (1 trilião = 1.000.000.000.000.000.000 (1 seguido de 18 zeros, 10^18)).
É importante estar atento à escala utilizada ao lidar com grandes números, especialmente em contexto de dados internacionais.
Numa análise da situação actual e evolução do Planeta recorre-se designadamente aos conceitos de PNB-Produto nacional bruto e PIB-Produto interno bruto, tanto em termos globais para países ou regiões como em valores per-capita e muitas vezes sobrevaloriza-se o indicador. Ora uma correcta avaliação não pode dispensar estes indicadores, mas deve ter em conta vários mais, designadamente a distribuição de riqueza e renda, situação de saúde das populações, nível e qualidade da educação e outros mais. Imagine-se dois países que num determinado período apresentaram um mesmo PIB per-capita, mas um diminuiu drasticamente o nível de pobreza, melhorou substancialmente o sistema de saúde e a qualidade da educação, bem como garantiu melhorias substanciais de apoio à velhice e o outro nada fez nestas áreas. Evidentemente que em tal situação os valores per-capita dos indicadores do produto nos levam a conclusões profundamente erradas. Embora dispondo de indicadores parcelares ainda não se construiu um indicador, razoavelmente aceitável, que nos permitisse retirar conclusões suficientemente adequadas. Há que não esquecer os indicadores específicos das variáveis mais relevantes.
As fontes são múltiplas e variadas, tanto de pendor ideológico como geograficamente produzidas – referindo-se a diferentes anos/períodos, mas predominantemente aos de 2021-2025, mas convergem amplamente tanto na descrição das situações existentes como nas soluções preconizadas para resolução de problemas múltiplos e extremamente graves. Os governantes de diferentes países estão de acordo, mas…
Citam-se as fontes mais frequentemente usadas: Oxfam, Crédit Suisse (entretanto já absorvido pela UBS), Global Wealth Report, BdP, INE, Fundação Calouste Gulbenkian, Pordata/FFMS, Forbes, ONU, FMI, Banco Mundial, Lusa e variada imprensa portuguesa e internacional.
É este o panorama de partida, indicando fontes insuspeitas.
2 – MUNDO: RIQUEZA E POBREZA. TEM AINDA O “HOMO SAPIENS” POSSIBIL?IDADE DE SOBREVIVER
População mundial
Em 31 de Dezembro de 2024, a população mundial era estimada em 8,09 bilhões, segundo o Observador;
Este número representa um aumento de cerca de 71 milhões de pessoas em relação ao ano anterior;
A taxa de crescimento populacional em 2024 foi ligeiramente menor do que em 2023, com um aumento de 0,9% em comparação com 0,95% no ano anterior:
O crescimento populacional é impulsionado principalmente por taxas de natalidade mais elevadas em algumas regiões do mundo, enquanto outras áreas estão a experimentar taxas de mortalidade mais altas ou taxas de natalidade mais baixas.
População mundial sobe para 8,09 mil milhões algures em 2024.
Riqueza-pobreza
Um relatório anual do Credit Suisse sobre riqueza global foi publicado em Novembro de 2019, mas infelizmente a realidade que descreve mantém-se actual quando não pior.
Como em todos os anos em que foi publicado, o relatório revela a extrema desigualdade de riqueza pessoal em todo o mundo. A metade dos adultos mais pobres no mundo representou menos de 1% da riqueza global total em meados de 2019, enquanto o topo dos mais ricos (10%) possuía 82% da riqueza global e o percentual mais alto (1%) quase metade (45%) de todos os activos domésticos E a desigualdade amplia-se no topo da pirâmide. Existiam 46,8 milhões de milionários no mundo em meados de 2019, mas a maioria possui riqueza entre US$ 1 milhão e US$ 5 milhões (41,1 milhões ou 88% dos milionários). Outros 3,7 milhões de adultos (7,9%) têm entre US$ 5 milhões e 10 milhões, e quase exatamente dois milhões de adultos têm riqueza acima de US$ 10 milhões. Destes, 1,8 milhões possui activos na faixa de US$ 10 a 50 milhões, deixando 168.030 indivíduos com património líquido muito alto, acima de US$ 50 milhões em meados de 2019.
A Forbes (Junho de 2025) corrobora: os 10 homens mais ricos do mundo indiciam, em meados deste ano, uma fortuna que globalmente ascende a 19.886 milhões de US$, ou seja menos de 0,002% da população do Planeta tem uma fortuna igual á totalidade da produção mundial (em PIB) em 2024.
Passemos à Oxfam: a riqueza do 1% mais rico do mundo é notavelmente alta, acumulando uma parcela significativa da riqueza global e superando a dos 99% restantes. Um relatório da Oxfam Internacional mostra que, desde 2020, o 1% mais rico acumulou quase dois terços de toda a riqueza gerada, enquanto os 99% sobrantes ficaram com o restante terço “Os países do hemisfério sul possuem apenas 31% da riqueza global, apesar de albergarem 79% da população global” (Oxfam, Setembro de 2024). Magnífica solidariedade dentro do planeta.
E acrescenta: “a sombra da oligarquia global paira sobre a Assembleia Geral da ONU deste ano. Os ultra-ricos e as megacorporações que controlam estão a moldar regras globais para servir os seus interesses à custa das pessoas em todo o mundo. O icónico pódio da ONU sente-se cada vez mais diminuído num mundo em que os multimilionários são os que mandam” (afirmou Amitabh Behar, Diretor Executivo da Oxfam International) e mais: o 1% do topo dos mais riscos detém 43% de todos os activos financeiros globais.
Outras fontes corroboram: a riqueza mundial está concentrada, com 1% da população detendo quase metade da riqueza global, segundo o relatório Global Wealth Report 2023. A riqueza global totalizou 454 biliões de dólares em 2022, com uma queda em relação ao ano anterior devido à valorização do dólar e à inflação, mas prevê-se um crescimento de 38% nos próximos cinco anos.
A desigualdade de riqueza tem sido uma preocupação crescente, com diversos relatórios indicando que a riqueza está a concentrar-se cada vez mais nas mãos de poucos. A Oxfam alertou que o 1% mais rico embolsou quase duas vezes a riqueza gerada pelo restante da população desde 2020. A organização defende um aumento na tributação dos super-ricos para combater a desigualdade.
A riqueza dos 10 maiores multimilionários do mundo cresceu, em média, 100 milhões de euros por dia no ano passado, segundo um estudo da Oxfam (Janeiro de 2025), que pede taxas globais para acabar com a riqueza extrema. Apresentado no dia em que se iniciou o Fórum Económico de Davos, na Suíça, onde chefes de Estado, representantes das principais economias do mundo e líderes empresariais e da sociedade civil discutem as questões mais urgentes do ano, a análise “Takers not Makers” defende a necessidade de criar uma política fiscal global que garanta “que as pessoas e as empresas mais ricas pagam a sua parte justa”.
A taxação de multimilionários deve, de acordo com a confederação de 19 organizações Oxfam, ser enquadrada numa nova convenção fiscal da ONU com o objetivo de reduzir as desigualdades económicas no mundo.
A confederação defende ainda a abolição dos paraísos fiscais, argumentando que metade dos multimilionários do mundo vive em países sem imposto sobre as heranças para os descendentes directos.
“As heranças têm de ser tributadas para desmantelar a nova aristocracia”, exige a Oxfam em estudo recentemente divulgado. É preciso “reduzir radicalmente a desigualdade”, considera a confederação, argumentando que “os governos precisam de se comprometer a garantir que, tanto a nível global como a nível nacional, o rendimento dos 10% mais ricos não é superior ao dos 40% mais pobres”. Esta redução da desigualdade, acrescenta a Oxfam citando o Banco Mundial, “poderá acabar com a pobreza três vezes mais rapidamente”. Por outro lado, escreve que “os governos também têm de acabar com o racismo, o sexismo e as divisões que sustentam a exploração económica contínua”. No referido relatório as organizações não-governamentais que fazem parte da Oxfam exigem ainda que se acabe com o fluxo de riqueza do Sul para o Norte, seja através do cancelamento de dívidas, seja eliminando o domínio dos países ricos e das empresas sobre os mercados financeiros e as regras comerciais. “Isto significa acabar com os monopólios, democratizar as regras das patentes e regular as empresas para garantir que pagam salários dignos e limitar a remuneração dos CEO [chief executive officer ou presidentes executivos de empresas]”, refere.
Significa também “reestruturar os poderes de voto no Banco Mundial, no FMI e no Conselho de Segurança da ONU para garantir uma representação justa dos países do Sul Global”, e ainda que “as antigas potências coloniais devem enfrentar os danos duradouros causados pelo seu domínio colonial, apresentar desculpas formais e fornecer reparações às comunidades afetadas”.
De acordo com o documento, o “1% mais rico dos países do Norte Global, como os EUA, o Reino Unido e a França, extraiu cerca de 30 milhões de euros por hora do Sul Global através do sistema financeiro em 2023, além de que os países do Norte Global controlam 69% da riqueza global e albergam 68% dos multimilionários, apesar de representarem apenas 21% da população global”.
“Esta concentração cada vez maior de riqueza é possibilitada por uma concentração monopolista de poder, com os multimilionários a exercerem cada vez mais influência sobre as indústrias e a opinião pública”, critica a Oxfam.
O número de pessoas que vive na pobreza quase não muda desde 1990, de acordo com dados do Banco Mundial.
Um relatório, publicado no dia em que o bilionário Donald Trump, apoiado pelo homem mais rico do mundo, Elon Musk, foi empossado como Presidente dos Estados Unidos, referiu que “a captura da economia global por alguns privilegiados atingiu níveis anteriormente considerados inimagináveis“.
Há que ser frio nas análises e, sem discutir méritos ou deméritos da personalidade, há que reconhecer que o Sr. Musk, que nasceu há 55 anos na África do Sul, filho de um engenheiro, emigrou para Canadá e Estados Unidos, frequentou duas boas universidades americanas, sendo engenheiro e economista e não lhe são conhecidas nem heranças nem aldrabices (afirmação do autor).
Voltemos à Oxfam: “O fracasso em travar os multimilionários está agora a gerar futuros trilionários. Não só a taxa de acumulação de riqueza bilionária acelerou – triplicou – como também o seu poder”, afirma o diretor executivo da Oxfam Internacional, Amitabh Behar, em estudo publicado.
“A jóia da coroa desta oligarquia é um presidente bilionário (apoiado e comprado pelo homem mais rico do mundo, Elon Musk), que dirige a maior economia do mundo. Apresentamos este relatório como um forte aviso de que as pessoas comuns em todo o mundo estão a ser esmagadas pela enorme riqueza de alguns“, sublinha Behar.
Os países de baixo e médio rendimento gastam, em média, quase metade dos seus orçamentos nacionais em pagamentos da dívida, lamenta o director executivo da Oxfam.
“Entretanto, o dinheiro desesperadamente necessário em todos os países para investir nos professores, comprar medicamentos e criar bons empregos está a ser desviado para as contas bancárias dos super-ricos. Isto não é apenas mau para a economia – é mau para a humanidade”, conclui.
Segundo estimativa apresentada em Global Wealth Report 2023, o património mundial chegará a US$ 629 triliões até 2027.
O rendimento anual dos 10% mais pobres do planeta varia muito, mas estima-se que muitos vivam com menos de US$ 2 por dia, o que dá menos de US$ 730 por ano. Alguns dos países mais pobres do mundo têm rendimentos per capita muito baixos, com valores que podem ser inferiores a US$ 500 por ano.
A pobreza extrema, que afecta os 25% mais pobres do mundo, é um problema global que requer esforços coordenados para promover o desenvolvimento económico e reduzir as desigualdades, sendo salientadas:
Falta de acesso à educação e oportunidades de emprego;
Desigualdade de género;
Conflitos e instabilidade política;
Acesso limitado a serviços básicos.
Não obstante algumas variações segundo as fontes, julga-se que é importante fazer uma síntese da riqueza/pobreza para o Mundo, o que se antecipa também para Portugal.
Distribuição da riqueza e pobreza no Mundo e em Portugal
Riqueza e pobreza |
Parte da riqueza do Planeta |
Parte da riqueza em Portugal |
1% dos mais ricos (Planeta, 2ª coluna; Portugal 3ª coluna) |
45% |
20% |
10% dos mais ricos (Planeta, 2ª coluna; Portugal 3ª coluna) |
76% |
60% |
Pobreza; 50% dos mais pobres (Planeta, 2ª coluna; Portugal 3ª coluna) |
2% |
6,5% |
COMENTÁRIOS? Apenas: total desumanidade, total arbitrariedade e, provavelmente, caso único entre todos os animais do Planeta.
3 – SOBRERRIQUEZA E SOBREPOBREZA, QUE FAZER?
A distribuição da riqueza no planeta é marcada por uma intolerável desigualdade e uma total desumanidade. Os dados mostram que uma pequena parcela da população mundial detém a maior parte da riqueza, enquanto metade da população possui virtualmente nada: apenas 2%.
A – Sintetizemos alguns dos aspectos já apresentados
Desigualdade:
A distribuição da riqueza global é extremamente desigual, com a maior parte da riqueza concentrada num pequeno número de pessoas.
1% mais rico
O 1% mais rico da população mundial detém uma parcela significativa da riqueza global, que chega a ser quase metade da riqueza total.
Países:
Estados Unidos e China são os países com a maior concentração de riqueza, representando uma grande parte do total global (ambos os países constituem bons case studies para prever o que vai acontecer nas próximas décadas).
Tendências:
Embora a riqueza global tenha crescido, a desigualdade tem aumentado, com a concentração da riqueza em poucos indivíduos e países.
Factores que afectam a riqueza global:
Valorização do dólar
A valorização do dólar em relação a outras moedas pode afectar a riqueza global, especialmente para países com economias mais vulneráveis.
Inflação
A inflação pode corroer o poder de compra da riqueza, afectando especialmente aqueles que possuem activos financeiros.
Crescimento económico
O crescimento económico em economias emergentes pode contribuir para uma redução da desigualdade global.
Impacto da desigualdade
Pobreza
A desigualdade extrema pode levar a um aumento da pobreza e da exclusão social.
Estabilidade social.
A desigualdade pode gerar tensões sociais e políticas, afectando a estabilidade social e económica.
Oportunidades
A concentração de riqueza pode limitar as oportunidades para aqueles que não possuem acesso a recursos e oportunidades.
B – Possíveis acções a desenvolver em relação aos super-ricos?
A Oxfam propôs em Davos (2025) medidas ambiciosas para corrigir as desigualdades de riqueza, incluindo a tributação de super-ricos, o fortalecimento do Estado com serviços públicos e o controlo do poder corporativo. A organização também defendeu a criação de novas formas de negócios que não priorizem os accionistas, como cooperativas e empresas sociais.
Em pormenores as propostas da Oxfam incluem:
Tributação progressiva sobre a riqueza:
A Oxfam estima que um imposto progressivo sobre a riqueza de milionários e bilionários poderia gerar US$ 1,8 trilião por ano. Além disso, a organização propõe impostos sobre lucros inesperados e uma tributação mais eficaz de grandes empresas, especialmente subsidiárias transfronteiriças.
Fortalecimento do Estado:
Defende o investimento em serviços públicos de qualidade, como saúde, educação e assistência social, além de infraestrutura pública como transporte, energia e habitação.
Controlo do poder corporativo:
A organização propõe quebrar monopólios privados, limitar o poder de grandes empresas e empoderar trabalhadores e comunidades. Isso inclui a democratização das regras de comércio e patentes, além de maior controlo público sobre soluções inovadoras.
Reinventar os negócios:
Sugere a criação de novos modelos de negócios que priorizem o bem-estar social em vez do lucro dos accionistas, como cooperativas e empresas de comércio justo.
Reparações e combate ao colonialismo:
A Oxfam também aborda a necessidade de reparação pelos danos causados pelo colonialismo, reconhecendo que os poderosos frutos do colonialismo devem enfrentar as consequências das suas acções.
4– DESENVOLVIMENTO GLOBAL DESASTROSAMENTE EM RISCO
Oxfam alerta que o desenvolvimento global está “desastrosamente fora do rumo” (antes de negociações cruciais em Davos e na Cimeira de Sevilha (2025))
O relatório “Do Lucro Privado ao Poder Público: Financiando o Desenvolvimento, Não à Oligarquia” foi lançado antes da 4ª Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento (Junho de 2025), organizada pela Espanha com participação de mais de 190 países. O livro explora a disparidade na distribuição de riqueza entre o sector privado e o sector público, questionando o modelo actual de desenvolvimento que favorece os mais ricos. O estudo argumenta que a riqueza concentrada nas mãos de poucos bilionários impede o progresso social e a redução da pobreza, defendendo uma mudança para um modelo que priorize o interesse público e o financiamento de políticas de desenvolvimento.
Países ricos estão a realizar os maiores cortes em ajuda humanitária desde 1960. Os países do G7, responsáveis por 75% da ajuda oficial, reduzirão seus repasses em 28% até 2026. Enquanto isso, a crise da dívida está levando governos à falência: 60% dos países de baixa renda estão à beira do colapso, gastando mais com credores do que com saúde e educação. Apenas 16% das metas dos ODS-Objectivos de desenvolvimento sustentável (ver à frente) estão no rumo certo para 2030. A Oxfam critica a estratégia de priorizar investidores privados, que beneficiou os mais ricos (1% detêm cerca de 45% dos activos globais), mas falhou em mobilizar recursos suficientes para o desenvolvimento. Credores privados, que hoje representam metade da dívida dos países pobres, agravam a crise com termos abusivos e recusa em renegociar.
“Sevilha foi o primeiro grande encontro global em um momento em que a ajuda humanitária está sendo destruída, uma guerra comercial começou e o multilateralismo está em frangalhos – tudo sob o pano de fundo do segundo governo Trump. O desenvolvimento global está falhando porque os interesses de uma minoria super-rica são colocados acima de todos os outros” afirma Amitabh Behar, director-executivo da Oxfam Internacional.
O que o Banco Mundial descreveu como uma mudança de paradigma de “biliões para triliões” tem sido uma bênção para investidores ricos, mas agora enfrenta evidências esmagadoras de fracasso, mesmo segundo os seus antigos defensores. De modo alarmante, há um novo impulso por trás da ideia de desviar o pouco de ajuda que resta para actores financeiros privados. “Os países ricos colocaram Wall Street no comando do desenvolvimento global. É uma tomada do poder pelo setor financeiro privado, que suplantou as formas comprovadas de combater a pobreza por meio de investimentos públicos e tributação justa. Não é surpresa que os governos estejam desastrosamente fora do rumo, seja na promoção de empregos dignos, igualdade de género ou fim da fome. Essa concentração de riqueza está sufocando os esforços para acabar com a pobreza”, afirmou Behar.
Continuemos com a mesma fonte: extrema concentração de riqueza no topo, alimentada por um sistema tributário injusto e regressivo, aprofunda desigualdades históricas de raça e género. São as mulheres negras, indígenas e periféricas que pagam o preço mais alto da crise climática, da fome e da ineficácia dos serviços públicos. Precisamos urgentemente de um pacto global baseado em justiça tributária, fortalecimento do sector público e reparação histórica. Os triliões acumulados pelos super-ricos, inclusive no Brasil, não podem mais ser blindados. Há que taxar fortemente os mais ricos para financiar saúde, educação e acção climática.
A Oxfam aconselha os governos a unirem-se em torno de propostas políticas que ofereçam uma mudança de rumo, combatendo a desigualdade extrema e transformando o sistema de financiamento do desenvolvimento:
“Triliões de dólares existem para cumprir as metas globais, mas estão trancados em contas privadas dos super-ricos. É hora de rejeitarmos o Consenso de Wall Street e colocarmos o setor público no comando. Os governos devem atender aos amplos apelos para taxar os ricos – e combinar isso com uma visão para construir bens públicos, da saúde à energia. É um sinal esperançoso que alguns governos estejam se unindo para combater a desigualdade – mais países devem seguir seu exemplo, começando em Sevilha”, afirmou Behar.
5 – ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE PORTUGAL
I – Os mais ricos
A fortuna dos dez mais ricos em Portugal totaliza 24,2 mil milhões de euros, segundo o Jornal Económico e as 50 famílias mais ricas são possuidoras de um património que ultrapassa a barreira dos 45 mil milhões de euros, uma riqueza equivalente a 17% do PIB Nacional (Forbes). Já aos 50% mais pobres é-lhes reconhecido poderem guardar 6,5% do que o País produz.
Também aqui entendo dever deixar uma nota pessoal. Em final dos anos sessenta e princípios dos anos setenta, como técnico do Banco de Fomento Nacional cruzei-me várias vezes com o Senhor Américo Amorim, que manifestamente escapava ao perfil típico dos industriais da cortiça (sobretudo rolheiros). Eu não conseguia perceber por que não se avançava no processo de industrialização e manifestamente o Sr. Amorim percebia tudo e tentava pôr em prática ideias e sugestões. Pouco tempo depois deixou de se interessar pelo Banco de Fomento e tornou-se um grande cliente bancário. Fez o que fez e nunca ouvi ou li qualquer referência menos abonatória do Senhor. Se Portugal tivesse duas dezenas de homens ou mulheres com a sua capacidade, que rico país seria.
II – Quantas pessoas passam fome em Portugal?
Muitas famílias não conseguem garantir uma alimentação adequada, embora não seja fácil chegar a números. Segundo escritos de APP-Associação Portuguesa de Psicogerontologia serão pelo menos 300 mil. É este o número de portugueses que ainda passarão fome. Este é um número que “nos envergonha a todos”, segundo o Presidente da República.
O Primeiro Ministro Cavaco Silva lançou também um alerta a propósito da iniciativa “Direito à Alimentação”, que quer distribuir as sobras dos restaurantes por 4500 instituições de solidariedade e assim matar a fome a famílias carenciadas.
“Pelo que temos ouvido, pelos apelos de instituições de apoio social, é possível que este número esteja a crescer”, acrescenta especialista que tem estudado a pobreza em Portugal desde os anos 80. E mesmo assim é difícil incluir neste número a “pobreza envergonhada” que não procura ajuda. A crise pode mesmo inverter a tendência de diminuição da pobreza que Portugal registou nas últimas décadas, alerta Alfredo Bruto da Costa. “Em 2008, antes de sermos atingidos pela crise, tínhamos 18% de pobres. Depois disso não sabemos o que aconteceu”, conclui.
Três outras instituições defendem que a vida está mais complicada: Legião da Boa Vontade, Comunidade Vida e Paz (CVP) e AMI. “Já não são só os sem-abrigo a procurar carrinhas de distribuição de comida”, diz Heloísa Teixeira, da Legião. “A cara da pobreza mudou”, reforça Elisabete Cardoso, da CVP. Já a AMI afirma “recebemos pedidos de ajuda de pessoas sem dinheiro para comer, para medicamentos, renda, água ou uma botija de gás para cozinhar”, diz Ana Martins.
A Associação Portuguesa de Psicogerontologia-APP, Instituição Particular de Solidariedade Social sem fins lucrativos e de âmbito nacional, dedica-se às questões biopsicológicas e sociais inerentes ao envelhecimento e às pessoas idosas, visa a promoção da dignificação, respeito, saúde, autonomia, participação e segurança das pessoas idosas, num quadro de envelhecimento activo e de solidariedade intergeracional, e de uma sociedade mais inclusiva para todas as idades, promove novas mentalidades e combate estereótipos negativos relativamente à idade e ao envelhecimento.
Foi por chegarem cada vez mais pessoas a pedir comida aos restaurantes que a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) avançou para a iniciativa “Direito à Alimentação”, diz o secretário-geral José Manuel Esteves. “Eram nossos clientes na semana passada e esta semana entram de mão estendida”, explica. A AHRESP espera que a rede que está a montar para recolher donativos dos cerca de 25 mil associados e entregá-los a pessoas com fome possa desenvolver-se muito rapidamente. Foi no lançamento desta rede que o Presidente da República disse que nos “envergonha a todos saber que há portugueses com fome”.
III – Pobreza e Exclusão Social (2023)
Taxa de Risco de Pobreza
Em 2023, a taxa de risco de pobreza em Portugal foi de 16,6%, o que representa uma diminuição de 0,4 pontos percentuais em relação a 2022, segundo o INE.
Pobreza extrema
Em 2023, cerca de 10,4% da população portuguesa vivia em pobreza extrema, o que significa que tinham um rendimento inferior a metade do rendimento mediano nacional, segundo o relatório “Portugal, Balanço Social 2024”.
Desigualdade:
Existem disparidades regionais significativas, com as Regiões Autónomas a apresentarem taxas de pobreza, privação material e desigualdade mais elevadas do que o continente, informa a Nova SBE.
IV – Causas e indicadores:
Baixos Salários e Precariedade:
Baixos salários, precariedade laboral, baixas prestações sociais e falta de acesso a serviços de qualidade são apontados como causas estruturais da pobreza em Portugal, segundo a RTP.
Privação Material e Social:
Em 2023, cerca de 11% da população portuguesa vivia em privação material e social, de acordo com o INE.
Dificuldades na Habitação:
O acesso à habitação continua a ser um problema premente em Portugal, com um aumento significativo no número de pessoas sem-abrigo entre 2019 e 2023, de acordo com a Renascença.
V – Grupos vulneráveis:
Crianças e jovens: Apesar da diminuição da taxa de risco de pobreza entre crianças e jovens, este grupo continua a ser particularmente vulnerável.
Idosos: a taxa de pobreza entre os idosos aumentou em 2023.
Famílias unipessoais: Famílias unipessoais, especialmente homens com 65 ou mais anos, também enfrentam um risco crescente de pobreza ou exclusão social, segundo a EAPN Portugal.
Em Portugal, em 2024, cerca de 2,1 milhões de pessoas (19,7% da população) encontravam-se em risco de pobreza ou exclusão social. Houve uma ligeira diminuição na taxa de risco de pobreza entre 2022 e 2023, mas a pobreza extrema e a desigualdade social permanecem desafios significativos.
É importante o relatório Pobreza extrema – uma em cada dez famílias vive com menos de 300 euros por mês (Junho de 2025, Sandra Afonso, Salomé Esteves).
Diminuiu o número de pessoas em risco de pobreza em Portugal, para 1,8 milhões, o que ainda não reflete o crescimento económico. O risco é maior entre idosos, famílias com filhos, imigrantes que chegam de fora da UE e desempregados. O “Balanço Social 2024” conclui ainda que até para garantir boas condições de trabalho é preciso ter dinheiro.
A pobreza extrema está mais severa
Os investigadores calculam que, em 2023, seriam necessários 3,5 mil milhões de euros para retirar todas as famílias da pobreza, ou seja 2% do PIB gerado nesse ano.
A pobreza chega mais rápido que o crescimento da economia.
O crescimento da economia ainda não chegou a quem vive em risco ou mesmo em pobreza, “há uma certa inércia nos números da pobreza, diz Susana Peralta”.
Banco de Portugal afirma: “Pobreza e privação” passam de pais para filhos (Maio de 2025, Sandra Afonso).
Estudo publicado pelo Banco de Portugal conclui que adolescentes que crescem com privação material e social ou em risco de pobreza têm maior probabilidade de manterem essas dificuldades na vida adulta. A economista explica ainda que as médias da economia escondem “uma realidade de crescimento que não é assim muito inclusiva, porque a pobreza não baixa ao mesmo ritmo, nem pouco mais ou menos”.
Este efeito é visível noutros indicadores, como o aumento das dificuldades entre os idosos, “agravou-se”, mas não significa que tenham diminuído os apoios sociais. “Não houve cortes nem sequer reais das pensões, pelo contrário, houve até alguns aumentos, não é disso que estamos a falar”, garante.
O que aconteceu é que, “como o desempenho da economia foi razoavelmente positivo nos últimos anos em termos de crescimento do salário médio, crescimento do próprio PIB, isso faz com que o limiar de pobreza aumente mais depressa. Quando as condições de vida estão a melhorar num país, o limiar de pobreza está a aumentar”, explica. Ou seja, esta é uma conclusão estatística. Há mais idosos a viver com dificuldades, em comparação com a restante população, que vive agora com mais rendimento disponível.
6 – ODS – OBJECTIVOS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
O FMI defende uma parceria entre organismos internacionais, académicos, autoridades nacionais, sociedade civil e sector privado, trabalhando juntos para melhorar as políticas de gastos sociais e lançar as bases para o cumprimento dos ODS.
O que são os ODS? Em número de 17 constituem um plano global para alcançar um futuro mais justo e sustentável até 2030, adoptados pelas Nações Unidas em 2015. Abrangem áreas como erradicação da pobreza, fome zero, saúde, educação, igualdade de género, água limpa e saneamento, energias renováveis, trabalho digno e crescimento económico, cidades sustentáveis, acção climática, entre outros.
Os dezassete ODS são:
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Erradicação da Pobreza;
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Fome Zero e Agricultura Sustentável;
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Saúde e Bem-Estar;
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Educação de Qualidade;
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Igualdade de Género;
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Água Potável e Saneamento;
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Energia Acessível e Limpa;
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Trabalho Decente e Crescimento Económico;
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Indústria, Inovação e Infra-estrutura;
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Redução das Desigualdades;
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Cidades e Comunidades Sustentáveis;
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Consumo e Produção Sustentáveis;
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Acção Contra a Mudança Global do Clima;
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Proteger a Vida Marinha;
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Proteger a Vida Terrestre;
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Paz, Justiça e Instituições Eficazes;
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Parcerias e Meios de Implementação.
7- GOVERNO PORTUGUÊS APROVA PLANO DE ACÇÃO PARA O COMBATE À POBREZA (Outubro de 2023)
Mais propriamente aprova-se em final de 2023 um Plano para 2022-2025 (à boa maneira portuguesa a meio do período) cujo principal objectivo consiste na redução do número de pessoas em situação de pobreza e combate às desigualdades.
O Conselho de Ministros aprovou acções articuladas em torno de seis eixos de intervenção, 14 objectivos estratégicos e mais de 270 actividades que contribuem para concretização dos objectivos e das metas identificadas na Estratégia Nacional de Combate à Pobreza:
Reduzir a pobreza nas crianças e jovens e nas suas famílias;
Promover a integração plena dos jovens adultos na sociedade e a redução sistémica do seu risco de pobreza;
Potenciar o emprego e a qualificação como factores de eliminação da pobreza;
Reforçar as políticas públicas de inclusão social, promover e melhorar a integração e a protecção de pessoas e grupos mais desfavorecidos;
Assegurar a coesão territorial e o desenvolvimento local;
Fazer do combate à pobreza um desígnio nacional.
Medidas específicas
Reformas no mercado de trabalho:
Aumentar o salário mínimo e garantir salários justos para todos os trabalhadores.
Reduzir a precariedade laboral e promover contratos de trabalho estáveis.
Combater a discriminação no local de trabalho.
Investimento em educação e formação:
Garantir o acesso universal à educação de qualidade, desde a primeira infância até ao ensino superior.
Promover a formação profissional para aumentar as oportunidades de emprego e melhorar as qualificações.
Fortalecimento do sistema de proteção social:
Aumentar o valor das prestações sociais e garantir que cheguem a quem mais precisa.
Melhorar o acesso aos serviços de saúde e garantir que sejam de qualidade.
Implementar políticas de habitação social para garantir o acesso à habitação a preços acessíveis.
Combate à desigualdade regional:
Investir em infra-estruturas e transportes nas regiões mais desfavorecidas.
Promover o desenvolvimento económico em áreas rurais e remotas.
Reduzir a disparidade no acesso a serviços básicos entre diferentes regiões.
Medidas fiscais:
Implementar um sistema fiscal mais progressivo, onde quem tem mais paga mais.
Combater a evasão fiscal e a fuga de capitais.
Utilizar a receita fiscal para financiar políticas sociais e de combate à pobreza.
Promoção da igualdade de género:
Garantir a igualdade de oportunidades no mercado de trabalho.
Combater a violência doméstica e o assédio.
Promover a participação das mulheres em cargos de liderança.
Envolvimento da sociedade civil:
Participação cívica:
Incentivar a participação ativa dos cidadãos na vida política e social.
Promover o debate público sobre as desigualdades e as soluções para as combater.
Criar mecanismos de participação pública na elaboração e implementação de políticas.
Solidariedade e apoio mútuo:
Promover a solidariedade social e o apoio aos mais vulneráveis.
Incentivar a doação de recursos e o voluntariado.
Conscientização e educação:
Promover a educação sobre as causas e consequências das desigualdades.
Combater estereótipos e preconceitos que contribuem para a desigualdade.
Combater as desigualdades tributárias, Fiscais e Administração Fiscal. Importante para garantir a igualdade de oportunidades e uma distribuição mais equitativa da riqueza.
Além destas medidas, é importante criar um ambiente propício ao empreendedorismo e à inovação, que possa gerar novas oportunidades de emprego e crescimento económico. O combate à desigualdade de riqueza em Portugal requer um esforço conjunto de todos os sectores da sociedade, incluindo o governo, o sector privado, as organizações da sociedade civil e os cidadãos.
8 – ODS EM PORTUGAL
Portugal teve um papel activo na elaboração e na consequente implementação da Agenda 2030. Em 2017, reforçou o seu compromisso, ao ser um dos países que apresentou, de forma voluntária, um “Relatório nacional sobre a implementação da Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável”, no qual se podia comprovar as acções levadas a cabo a nível nacional relativamente a cada um dos ODS. Segundo o relatório, Portugal materializa nos ODS 4, 5, 9, 10, 13 e 14 as suas prioridades estratégicas na implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Em 2022, o relatório da ONU sobre desenvolvimento sustentável, conduzido por cientistas independentes, destacou Portugal como um dos países mais sustentáveis do mundo. O que tem feito Portugal para atingir os ODS? Portugal tem um desempenho acima da média da União Europeia (UE) na concretização da maioria dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), mas precisa melhorar em áreas como desigualdades, indústria e infra-estruturas, cidades mais sustentáveis ou a produção e consumo sustentáveis, indica o Tribunal de Contas (Jul 2023). Em Portugal, os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) enfrentam desafios específicos, com prioridades como a desigualdade de género, a educação de qualidade e a acção climática. Apesar dos esforços, a implementação dos ODS em Portugal ainda enfrenta obstáculos como a falta de investimento, a coordenação entre diferentes sectores e a necessidade de maior consciencialização pública.
Problemas específicos;
Desigualdade de género:
Portugal tem feito progressos na igualdade de género, mas ainda existem disparidades salariais e de representação em cargos de liderança.
Educação de qualidade:
Embora Portugal tenha um sistema educativo abrangente, persistem desigualdades no acesso à educação de qualidade, especialmente para crianças de contextos socioeconómicos desfavorecidos.
Acção climática:
Portugal tem como objectivo a neutralidade carbónica, mas a implementação de medidas para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa enfrenta desafios como a dependência de combustíveis fósseis e a falta de investimento em energias renováveis.
Outros desafios:
A erradicação da pobreza, a fome, o acesso a água potável e saneamento, e a promoção de trabalho decente e crescimento económico também são áreas onde Portugal enfrenta desafios na implementação dos ODS.
9 – Group of twenty (G20)
Evidentemente que quando os organismos internacionais não funcionam – de que a ONU é exemplo notabilíssimo – outros se irão criando para obter algum sucesso em problemas considerados fundamentalmente importantes.
O G20, ou Grupo dos Vinte, é um fórum internacional para cooperação em questões globais, onde as principais economias industrializadas e emergentes se reúnem para discutir e coordenar uma ampla gama de questões globais, com foco na cooperação económica.
O G20, liderado pelo Brasil, e o processo de reforma da Cúpula do Futuro da ONU têm um papel fundamental na união dos países do Norte e do Sul globais para tornar o mundo um lugar mais igualitário, reduzindo a desigualdade entre países e dentro de cada um deles”, segundo a Oxfam.
O G20 inclui:
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19 países: Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Coreia do Sul, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos;
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União Europeia.
Objetivo:
O principal objetivo do G20 é promover a cooperação económica internacional e enfrentar os desafios globais. Isso inclui questões relacionadas a:
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Crescimento Económico: Promover o crescimento económico sustentável e inclusivo;
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Estabilidade Financeira: Manter a estabilidade financeira global e prevenir crises;
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Mudanças Climáticas: Enfrentar as mudanças climáticas e promover o desenvolvimento sustentável;
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Saúde Global: Coordenar esforços para melhorar os resultados globais de saúde;
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Comércio Internacional: Promover o comércio internacional livre e justo;
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Outros desafios globais: enfrentar uma série de outras questões urgentes, como pobreza, segurança alimentar e segurança energética.
A agenda da Oxfam está alinhada publicamente com o governo brasileiro. Em setembro de 2024, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, em discurso na cúpula de líderes do G20, essa directriz. Em Dezembro de 2023, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, falou em tributar a riqueza e aumentar gastos para combater a desigualdade. Quase certamente virá o Brasil a ser uma das nações mais importantes no mundo do futuro.
10 – BRICS
O BRICS é um fórum de cooperação entre um grupo de economias emergentes líderes. O BRICS inclui 10 países: Brasil, China, Egipto, Etiópia, Índia, Indonésia, Irão, Federação Russa, África do Sul e Emirados Árabes Unidos.
Serve como foro de articulação político-diplomática de países do Sul Global e de cooperação nas mais diversas áreas. Os objectivos do BRICS incluem fortalecer a cooperação económica, política e social entre os seus membros, bem como promover um aumento da influência dos países do Sul Global na governança internacional.
BRICS é o acrónimo para o poderoso grupo das principais economias de mercado emergentes do mundo, nomeadamente Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O mecanismo BRICS visa promover a paz, a segurança, o desenvolvimento e a cooperação.
Evidentemente, o BRICS é o resultado da constatação planetária de não terem os organismos internacionais, criados ou adaptados após a Segunda Guerra Mundial, capacidade para resolver os problemas essenciais do Planeta.
11 – Alguns relatórios importantes
Pobreza e Exclusão Social em Portugal: Relatório 2020;
Pobreza e Exclusão Social em Portugal: Relatório 2021;
Pobreza e Exclusão Social em Portugal: Relatório 2022;
Pobreza e Exclusão Social em Portugal: Relatório 2023;
Pobreza e Exclusão Social em Portugal: Relatório 2024;
Combate à Pobreza e Exclusão Social no Contexto de Múltiplas Crises – Resultados do 3º Inquérito às Organizações;
Pobreza habitacional em Portugal: desafios e vulnerabilidades;
O Combate à Pobreza em Contexto da Covid-19: Resultados do Inquérito às Organizações;
O Combate à Pobreza e Exclusão Social no contexto da pandemia por COVID-19: Resultados do 2.º Inquérito às Organizações;
Pobreza e Exclusão Social em Portugal 2016-2017 (EU-SILC 2017);
Pobreza e Exclusão Social em Portugal: Análise dos dados do ICOR/EU-SILC 2018;
Inquérito às Condições de Vida e do Rendimento (ICOR 2018) – Análise de dados provisórios
12 – UMA CONCLUSÃO (SE POSSÍVEL)
Honestamente não sei se poderei concluir. Se poderei ou quererei.
O quadro que se apresenta a seguir, não obstante a não certeza absoluta sobre o seu rigor, mostra claramente que o mundo terá de mudar e parece difícil “encaixar” um mundo mais carenciado relativamente à satisfação das necessidades básicas de todos os humanos. Haverá situações desesperadamente aflitivas, mas esta Terra já não absorve os exageros de hoje.
Politicamente a humanidade sobrevive em caos. “Democraticamente” um tal Sr. Trump está dizendo e fazendo o que os maiores tiranos da história não tiveram coragem de fazer: nem na antiga Roma, nem no mundo europeu – medievo, liberal ou democrático – nem nas Américas emancipadas. De repente, o Mundo teve direito a um chefe e cortesãos, a parentes e aderentes. Lealdades, Solidariedades, valorização da Justiça? Tudo isso pertence ao passado, agora mandam na Terra os deuses nados e criados nela e que depois da Lua poderão apoderar-se de alguns planetas habitáveis (houve até quem já tenha calculado o valor da Terra possuidora desses planetas, chegando a quadriliões). Em qualquer caso, julgo deduzir-se do quadro a impossibilidade de se poder percorrer o caminho que seria necessário percorrer.
Países(1) |
PIB 1960Biliões US $(2) |
PIB 20241000 biliões US $(3) |
Crescimento 1960-2024 (%)(3)/(2)(4) |
USA |
543.3 |
28.780 |
53 |
UK |
74.0 |
3.570 |
48,2 |
Alemanha |
86.4(Ocidental) |
4.690 |
54,3 |
França |
77.1 |
3.130 |
43,4 |
Brasil |
12.4 |
2.420 |
195,2 |
Japão |
44.0 |
4.110 |
93,4 |
China |
59.7 |
17.700 |
296,5 |
Índia |
37.1 |
3.940 |
106,2 |
África do Sul |
7.0 |
400 |
57,1 |
Rússia: |
239.6 |
2.060 |
8,6 |
Mundo |
1.266,5 |
111.326,4 |
87.9 |
Simplesmente e impotentemente regresso ao meu País.
Em Portugal, a desigualdade de riqueza tem sido um tema crescente de debate. A Oxfam, entre outros, tem chamado a atenção para a concentração de riqueza nas mãos de uma pequena elite, enquanto a maioria da população enfrenta dificuldades económicas. A organização tem destacado a importância de políticas que promovam a redistribuição da riqueza e a redução da pobreza.
Esta Organização argumenta que a desigualdade de riqueza não é apenas um problema moral, mas também um obstáculo ao desenvolvimento económico e social. A concentração de riqueza impede o acesso a serviços básicos como saúde e educação, e limita as oportunidades de mobilidade social para muitas pessoas.
É importante ressaltar que a Oxfam não tem poder de decisão política e a sua actuação visa influenciar o debate público e pressionar os governos a adoptarem medidas que promovam a justiça social e a redução da desigualdade. Obviamente enquanto for possível, isto é, enquanto os selvagens do ambiente e da destruição de recursos não destruírem os elementos básicos e essenciais à vida.
Infelizmente para que essa destruição ocorra não serão necessários séculos; décadas – poucas – bastarão. Pobres netos e bisnetos, crianças de hoje que inconscientemente sorriem olhando para um futuro-outro que lhes será criminosamente roubado.
Lisboa, 31 de Julho de 2025



O homo sapiens, distraído para ser destruído, manipulado, e idiotizado de tão manipulado, tende a não sobreviver, dando lugar à espécie mutante em franca expansão, os homo non-sapiens.
O planeta estava aqui antes dessas espécies por vários bilhões de anos e estará aqui por muitos bilhões ainda, após a extinção destes “seres pensantes”, tão tecnologicamente desenvolvidos e tão primitivos sociologicamente.
Meu cenário otimista imagina um máximo de um milênio a mais. Os outros seres vivos agradecem e comemoração.
Abraço grande e fraterno.
Amor, compaixão, solidariedade.