As classes populares, trabalhadores e empregados comuns, camponeses e todos os que só usam e usavam gravata quando se casavam, nunca foram particularmente apreciados por aqueles outros que, mesmo em lugares secundários se sentiam e sentem acima deles e, se calhar, até poem gravata. O cuidado ou a preocupação com os seus problemas, é apenas uma questão de gentes mais ou menos liberais, mais ou menos progressistas e de outras, ligadas a instituições mais ou menos caritativas, e a alguns grupos intelectuais e artísticos de dimensão mais ou menos importante.
De qualquer maneira, a antigamente chamada classe média, está a desaparecer a uma velocidade estonteante, o descrédito do antigamente também chamado proletariado, está agora substituído por novos termos como ‘precariado’ e ‘subemprego’, de interpretação e aplicação complicadas, vagamente substituídas por ‘subsídios de desemprego’ de curta duração, ‘rendimentos sociais de inserção’ e uns outros mais ou menos específicos como o ‘complemento solidário para idosos’.
Se repararmos bem e voltarmos a ler comparações com os anos vinte e trinta do século passado, além das autocracias crescentes, à procura dos impérios com que sonham, só notamos o lento e perigoso desaparecimento da mentalidade progressista, a que antigamente também se chamava ‘esquerda’, substituída por um individualismo apoiado na tecnologia e no racionalismo pós-moderno, com montes de instruções de origens variadas, mas quase nunca nas Humanidades, que também penam o mesmo lento e perigoso desaparecimento.
Num dia como o de ontem, mas já lá vão 89 anos, foi fuzilado pelos franquista e atirado para uma fossa comum, o poeta granadino Federico García Lorca que, num dos seus escritos salientou, ‘A coisa mais impressionante fria e cruel é Wall Street. O ouro vem em rios de todas as partes da terra e a morte vem com ele. Em nenhum lugar do mundo a total ausência do espírito é sentida como lá’.
Mas o actual senhor de Wall Street, teve este procedimento, de acordo com o jornal norueguês ‘Dagens Naeringsliv’, citando fontes anónimas: ‘O ministro das Finanças, Jens Stoltenberg, estava a andar numa rua qualquer de Oslo, quando de repente, Donald Trump lhe ligou, ‘Eu queria o Prémio Nobel… e falar sobre tarifas’.
O jornal norueguês disse que não foi a primeira vez que Trump mencionou o prémio numa conversa com Stoltenberg, ex-secretário-geral da aliança militar OTAN, e Stoltenberg disse que a ligação foi para discutir tarifas comerciais e cooperação económica antes de o presidente dos EUA entrar em contacto com o primeiro-ministro norueguês, Jonas Stoere.
E no passado fim de semana, a cimeira do Alasca, organizada à pressa, ‘Não produziu nada para Trump, e deu a Putin a maior parte do que ele estava procurando’, disse Laurie Bristow, ex-embaixadora britânica na Rússia; ‘Putin rompeu o isolamento internacional’, retornando ao cenário mundial como um dos dois líderes globais e ‘não foi nem um pouco desafiado por Trump, que ignorou o mandado de prisão do TPI para Putin’, disse Bristow à Associated Press.
Cá mais abaixo, nas palavras do escritor e poeta Antoni Puigverd, no ‘La Vanguardia’ do dia 17, ‘Os responsáveis pelos incêndios que estão transformando a Península Ibérica em um deserto negro, deveriam ser enviados para servir como voluntários na linha de frente. Para começar, os líderes que, em vez de coordenar e unir forças, se esquivam da sua responsabilidade e depois, os políticos e funcionários que, durante anos e anos, mostraram indiferença culpável nos seus deveres territoriais: há quantos anos falamos do abandono das florestas?’
Iñaki&Frenchy, ‘Comida em Gaza’
‘Publico.es’, 25.08.15



