Nota de editor: o TikTok era propriedade da empresa chinesa ByteDance, empresa esta que foi fundada em 2012 por Zhang Yiming, Liang Rubo e uma equipa de outros. Como se pode verificar pelo artigo que publicamos abaixo a propriedade da ByteDance foi transferida há dias, por acordo entre Donald Trump e Xi Jinping, para gigantes americanos dos fundos de investimentos.
FT
Seleção e tradução de Francisco Tavares
2 min de leitura
TikTok, de aplicativo chinês a despojo de Wall Street
Publicado por
em 18 de Setembro de 2025 (original aqui)
Amanhã será um dia importante para todos os tiktokers do mundo, principalmente nos EUA. Nesta sexta-feira, mais um capítulo poderia ser escrito na telenovela sobre o destino do TikTok naquele país. Após meses de prorrogações e ameaças, o aplicativo chinês enfrenta o dilema marcado pela lei americana de vender as suas operações ou despedir-se do mercado mais lucrativo do planeta.
Supõe-se que amanhã os presidentes dos EUA e da China, Donald Trump e Xi Jinping, poderão chegar a um acordo para que o TikTok passe para as mãos da capital americana naquele país.
A pressão do Congresso e a decisão do Supremo Tribunal dos EUA em janeiro de 2025 pressionaram contra-vontade a ByteDance, obrigando-a a negociar em condições que pouco têm a ver com a livre concorrência e muito com a geopolítica. A retórica oficial fala em “proteger dados de utilizadores”, mas a realidade visa controlar um espólio de informações que vale mais do que o petróleo.
Nessa jogada aparece a Oracle, a tecnológica de Austin que desde 2022 já guarda os dados do aplicativo em solo americano. Agora está a perfilar-se como a cabeça visível do novo consórcio que poderia ficar com o controle da TikTok, em parceria com gigantes de investimentos como Susquehanna International Group, General Atlantic, KKR e Silver Lake. Esses nomes soam mais como um clube exclusivo de Wall Street do que defensores da privacidade digital.
Em teoria a ByteDance pode manter uma participação minoritária. Isto mais parece um gesto simbólico que maquilha uma expropriação encoberta na terra das liberdades e no paraíso da liberdade empresarial. É como se você fosse retirado da sua própria festa, mas eles deixam você comer os couratos para que ninguém diga que foi um completo espólio.
Entretanto, milhões de utilizadores continuarão gerando conteúdo, sem perceber que a sua rede favorita se converteu num troféu de guerra digital. Neste choque de interesses, a única coisa clara é que a narrativa da segurança nacional serve de ecrã para legitimar uma nova divisão do mercado global de dados. O espetáculo continuará, mas com outros proprietários atendendo a diferentes interesses político-empresariais.
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O autor: Hugo González é um colunista e comentador mexicano com mais de 25 anos de experiência em negócios, economia e tecnologia. Fundou o site Tecnoempresa.mx e o canal digital N4.0, desenvolvendo conteúdos especializados, parcerias com agências de comunicação, e estratégias de posicionamento SEO. Também é colunista do El Universal e ContraRéplica, onde analisa tendências tecnológicas, economia digital e temas empresariais. Foi editor, repórter e apresentador em meios de comunicação como Grupo Milenio, TV Azteca, Radio Fórmula, NRM Communications e El Heraldo, coordenando equipas editoriais e criando produtos de informação multiplataforma. É especialista em Comunicação estratégica, Redação de mensagens-chave e formação de grupos de trabalho. É licenciado em Comunicação e Jornalismo pela Universidade Nacional Autónoma do México.


