Não sei, juro mesmo que não sei, se a estória do trumpa, de Gaza e dos palestinos, já terá rumo ou caminho definido, porque a maioria dos intervenientes, e dos que não quiseram (ou não puderam) ter qualquer intervenção, não tinha aspirações a algum prémio internacional, só a um sítio sossegado onde pudesse dormir sem lhe cair o tecto em cima, depois de ter comido um prato de sopa e de alguém que lhe tratasse das feridas.
Há muito que fiquei parado numa frase que alguém escreveu, ‘Acredite na grandeza e no poder da Humanidade!’. Até quero acreditar, bem como a maior parte gostaria também de ter igual posição, mas quando vejo e leio que 1% dessa tal Humanidade controla cerca de 95% da riqueza total, que um fulano como Musk, se orgulha de ter cerca de 500 mil milhões de dólares de riqueza pessoal e que, no decorrer da História, uma quantidade de sátrapas, de pretensos imperadores e outros trastes, dominaram ou tudo tentaram, para submeter o resto daquela Humanidade, principalmente em alturas críticas como as do inverno, das monções ou das secas, como agora se pode ver nos ecrãs de todas as televisões, na Ucrânia, no Sudão, Mali, Mianmar, América do Sul e outros zonas deste mundo, já tão castigado.
Ao mesmo tempo, com ou sem frotas fantasmas de barcos sem registo de origem, a distribuir petróleo, as indústrias que lhe estão ligadas, mais os lítios, as armas que protegem e ameaçam tudo e todos, as empresas de tecnologias e os acumuladores de moeda e da cripto moeda, enquanto vão acenando como ‘inimigos’ que só eles vêem, os emigrantes, muçulmanos, pobres, negros e os diferentes, cuja contribuição para sociedade nunca é tida em conta.
Por isso continuo parado naquela frase, por nem estar a ver ou acreditar que os memes dos mandadores dos states, das estepes soviéticas, das pampas argentinas, dos palácios húngaros já sem valsas, dos patrões das vendas baratas asiáticas e quejandos, consigam olhar para a tal Humanidade, por não ser sua obrigação, pois foram inventados para outros voos – dominar o povão para benefício próprio, num mundo em que a liberdade e a dignidade também se trocam por ouro.
Basta deixar aqui dois títulos, ambos do passado dia 6:
– o primeiro do “Le Monde” – ‘Putin ameaça a Europa com uma “resposta muito convincente” se persistir em se armar e ajudar Kiev. Na quinta feira, o Presidente russo acusou os europeus de alimentarem o conflito na Ucrânia, impedindo a sua resolução e promovendo “uma escalada permanente”, dizendo estar também atento à “militarização” do Velho Continente’;
– o segundo título é do ‘El País’ – ‘Trump atira as farmacêuticas contra a Europa. Trump obriga as farmacêuticas norte-americanas a subir os preços dos medicamentos na Europa, para aumentar os seus lucros e assim poder baixá-los nos EUA; logo a seguir a ‘Bristol Meyers’ ameaçou o Reino Unido em não lhe fornecer um novo fármaco contra a esquizofrenia, se não pagar o mesmo que cobra nos EUA, 1.600 euros mensais por cada tratamento’.
O colunista do ‘Nueva Tribuna’, Patrocínio Navarro Valero, escreve no seu artigo de 30 de Setembro, um comentário e uma pergunta que merecem a nossa atenção.
‘Estamos a ver, ouvir e ler diariamente, que a organização do mundo está nas mãos de genocidas, fascistas, autocratas e democratas incompletos (convencidos ou subjugados), a exibir diferentes bandeiras e siglas que, no final, respondem sempre aos desejos de poder, dinheiro e privilégios sociais, que são expressões de egos de pessoas sem consciência ou sensibilidade (é claro que não espero que a OMS diga o mesmo). E fazem isso com a ajuda de um número incontável de oportunistas, servos, escribas, criminosos, fanáticos, traficantes de armas, genocidas e outra gente que aqui caiu, e até parece anterior ao homo sapiens. O que poderemos nós, povos da terra, fazer com eles?’
Quem saberá ou poderá responder?
António M. Oliveira
Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor