A FRÁGIL NITIDEZ DA LIBERDADE
na defesa do grandioso dia
que veio depois dos dias turvos
cubramos de barcos e de cravos toda a escuridão
que os fantasmas teimam em construir.
este espaço onde hoje espreitamos pelas frinchas
e vemos o terraço onde as plantas foram regadas
com ignorância e arame farpado.
este patamar é um passaporte para o país
onde poderemos pendurar os olhos livres
nos pássaros livres que nascem e renascem.
foi assim uma vez e poderá continuar assim
se formos nós com as mãos abertas
a ser capazes de segurar a frágil nitidez da liberdade.
eu leio em voz alta o meu poema clandestino
que já não é clandestino
e pasme-se:
há ainda umas pequenas sombras na pronúncia.


