As sílabas marginais/A FRÁGIL NITIDEZ DA LIBERDADE/Nelson Ferraz

 

 

A FRÁGIL NITIDEZ DA LIBERDADE

 

 

 

 

na defesa do grandioso dia

que veio depois dos dias turvos

cubramos de barcos e de cravos toda a escuridão

que os fantasmas teimam em construir.

 

 

este espaço onde hoje espreitamos pelas frinchas

e vemos o terraço onde as plantas foram regadas

com ignorância e arame farpado.

 

 

este patamar é um passaporte para o país

onde poderemos pendurar os olhos livres

nos pássaros livres que nascem e renascem.

 

 

foi assim uma vez e poderá continuar assim

se formos nós com as mãos abertas

a ser capazes de segurar a frágil nitidez da liberdade.

 

 

eu leio em voz alta o meu poema clandestino

que já não é clandestino

e pasme-se:

há ainda umas pequenas sombras na pronúncia.

 

 

 

 

 

 

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