EXTINÇÃO
Apesar de todos os avisos
Que a névoa espalha pelos anos
Um homem regressa ao quintal
Que já não há.
Senta-se no mais obscuro dos sítios
E permanece escutando as galinhas.
O mesmo homem interroga o pessegueiro
Que já não há.
Afasta o céu e as folhas pautadas dos jarros
E arruma o mundo que se extingue.
Degrau a degrau percebe que o sol
Sofre de uma catarata irreversível.
E conclui:
– Somos uma fábrica de crepúsculos.
Amanhecemos uma noite em cada dia.


