CARTA DE VENEZA – Turismo sim, turismo não por Vanessa Castagna

 

Neste início de abril, os sinais que se entreveem para a época turística são, de momento, contraditórios. Por um lado, a abertura do calendário de datas em que se exige o pagamento da taxa de entrada em Veneza coincidiu com um fluxo de turistas intenso: segundo informações divulgadas pela Câmara Municipal, só no primeiro dia se registaram mais de 13 000 entradas pagas, ultrapassando de imediato o valor de 100 000  euros.

Este ano foi estabelecido um total de 60 dias com acesso pago, com os primeiros quatro a coincidirem com as férias da Páscoa, o que explica o elevado montante arrecadado. Nestes 60 dias, manter-se-ão ativos postos de controlo físicos nos principais acessos da cidade, onde um número avultado de assistentes tratará de verificar o código QR que comprova o pagamento da taxa e de regularizar a situação de quem não o tiver efetuado.

Apesar dos dados animadores em relação ao número de visitantes nestes dias, o cenário global e, em particular, a crise energética em curso apresentam-se como uma ameaça para os próximos meses. Já em quatro aeroportos italianos – dois deles precisamente no Véneto, ou seja, em Veneza e Treviso – o fornecedor Air BP Italia implementou as primeiras restrições na distribuição de combustível, com medidas aparentemente temporárias, mas que deixam alguma apreensão quanto ao que poderá acontecer depois de 9 de abril.

As restrições dão prioridade de abastecimento a voos médicos, voos de Estado e rotas com duração superior a três horas, enquanto para as outras ligações foram impostos limites. Ainda que as sociedades que gerem os aeroportos e as companhias aéreas tenham tentado minimizar a crise, intui-se que os preços das passagens tenderão a subir nos próximos meses, com consequências na movimentação de turistas e impacto na economia de Veneza e de outras cidades dependentes do turismo.

[Créditos de imagem: “Venice or Veniceland ?! / Serenissima o tristissima ?!” por Hervé Simon, CC BY-SA 2.0]

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