COMO A PREPARAÇÃO DOS MAIS ALTOS GOVERNANTES E DECISORES VAI! por Carlos Pereira Martins

COMO A PREPARAÇÃO DOS MAIS ALTOS GOVERNANTES E DECISORES VAI!

por Carlos Pereira Martins

 

Em dois grandes sectores da sociedade portuguesa, o futebol e a política, os exemplos de falta de postura vertical, mesmo ética, tudo junto com enormes doses de falta de verdade, são os mesmos e muitos.

Fizemos o que fizemos no recente mundial de futebol.

Pelo menos a dois jogadores dos de maior referência na selecção nacional portuguesa, ouvimos um muito expressivo e triste: fizemos o que nos mandaram fazer!

Uma crítica implícita a quem teve a responsabilidade da estratégia, da formação das equipas que entraram em cada jogo, o seleccionador e treinador.

O presidente do órgão máximo, a FPF, não se fartou de debitar chavões balofos, vamos buscar quem se identifique com este caminho vitorioso que prosseguimos, que conheça bem o futebol português e outras que tais. Tenho em conta que o treinador que chegou, sem conhecer em pormenor nem o nosso futebol nem os jogadores, veio, aterrou e foi campeão nacional pelos dragões!

Este presidente não teve pejo em atirar a responsabilidade para quem o precedeu. “não fomos nós a escolher esta equipa …!”

E, não concordando, teve momentos oportunos de fazer a substituição a seu gosto. Por exemplo e com elegância, logo que ganhou o troféu internacional anterior. E fá-lo-ia com elegância e positivamente.

Está-lhes nas entranhas, desresponsabilizarem-se e falar mal dos anteriores.

Na política e, concretamente, no assunto que agora preocupa alunos, pais e professores, o ministro actual da educação, logo nas primeiras intervenções públicas, não teve vergonha em afirmar, de soslaio, deixando cair o recado pelo canto da boca e do olhar, que “foi o que encontrámos!”, e “agora vamos compor e melhorar tudo”, pensando que tinha chutado para canto e passaria ileso.

Depois, veio aquela atoarda balofa e falha de verdade que anunciava a plenos pulmões que não haveria um aluno ou alguém prejudicado. Que se o for, o Estado vai ressarci-lo de tudo.

Sempre me intrigou esta atoarda, pois garantir que não havia prejuízo, já há semanas, para ninguém, levava-me a interrogar-me e a ver todos os alunos, pais e professores que, só pelas primeiras notícias e “explicações”, dava para ver que tinham já sido e estavam a ser prejudicados.

Mas Fernando Alexandre continuava a fechar cada entrevista, na rua, em estúdio ou noutro lado, a dizer: ninguém será prejudicado!

Que falta de postura, que falta de vergonha. Agravado por vir de um ministro da … educação!

A coisa ficou clara na entrevista de ontem à noite na televisão. A entrevistadora questionou com bisturi afiado: e quem se sentir prejudicado, reclama ao ministério? Tem já um critério, valores, planos?

O ministro disse o inevitável, são coisas de difícil demonstração, subjectivas e temo que ser criteriosos, mais ou menos isto.

E o ministério pagará em que prazo?

Acabou o ministro por deixar cair a cauda para fora e dizer que, pois… será sempre muito difícil demonstrar que foi lesado.

E, para acabar, vem o chavão que tudo lava: é que o dinheiro não é nosso, é o de todos nós!

Que vergonha! Que bandalhos!

Disse.

2026-07-08

 

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