As sílabas marginais/Escutas a respiração dos malmequeres /Nelson Ferraz

 

 

Escutas a respiração dos malmequeres e

marcas a tua casa luminosa perto da memória. A vida

reduz-se a um desejo que ainda não perdeu o sorriso

dos barcos por pintar.

Passa um voo de andorinha junto ao portão que é agora

impossível de abrir. E pensas: onde estou eu neste voo de ontem?

És o tempo do mesmo corpo, mas percebes que tudo à tua volta

envelheceu. Afinal o teu mundo é um sítio a morrer

vezes a fio.

 

 

 

 

 

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