Seremos todos filhos da Utopia, ou seremos filhos do acaso, do sonho de que seremos capazes de ter filhos e educá-los com exemplos vivenciados de cidadania, de respeito por todos, de defesa das Liberdades, de militantes pela Paz, defesa da Natureza, do Conhecimento, da Partilha do que temos em comum nas nossas diferentes culturas nas artes, na literatura, no sistema de ensino, nas pedagogias libertadoras, na pintura, na música…
Não sei, mas sei que tudo isto é possível desde que os governantes o queiram.
Mas como podem os dirigentes sair deste beco que parece tolher a vontade política dos países que estão presos e agarrados, como se fossem lapas, ao capitalismo e suas regras, em tornar o povo obediente e conformado.
Não há vontade política de mudar, de inventar novas formas de nos organizarmos
A Inteligência Artificial tem dois lados, como tudo, ela e o seu contrário.
Na ciência é óptima e para substituírem os trabalhadores também, aumentando o desemprego, baixando a auto-estima de quem se vê inútil para o desenvolvimento no seu país de pertença, país cuja democracia está a ser posta em causa pelos partidos de extrema direita e de outros que de democratas só têm a pele de cordeiro porque por baixo está o lobo mau.
O dinheiro vale mais do que as pessoas que passaram de seres vivos a números.
A maneira como os sindicatos lutam contra as injustiças já não se adequa às mudanças sociais, que são de outra época política e que aparecem e se modificam antes de as podermos identificar, nós os descartáveis.
Querem que o povo crie um espaço vazio de criatividade, de vontade activa de mudar, querem um povo submisso que encolhe os ombros “são todos iguais, são todos corruptos ou corruptíveis.”
Sim, há pessoas com mais conhecimento científico que trabalham em projectos de investigação, que são reconhecidos pelas respectivas comunidades científicas, há mais pessoas a estudar, e a querer mudar de vida, logo, procuram sociedades organizadas de outra forma, tendo em conta todos, mas mesmo todos, todos, os nativos e os migrantes, os pobres e os ricos, os que têm uma vida boa e os que não têm vida nem voz para dizerem “eu estou aqui”.
Cada vez se trabalha mais horas, cada vez mais não se comunica olhos nos olhos…as frases têm cada vez menos palavras, é com bonequinhos que batem palmas que se diz se se gostou ou não do que foi publicado, não há uma reflexão…. Fazem-se brincadeiras de comunicação com as mãos, e todos aceitam as regras desses jogos.
O conceito de família está a modificar-se, como tem acontecido ao longo dos tempos. O conceito de família já não é o dos nossos avós nem o dos nossos pais, nem daqueles que nasceram nos 50º, 60…
Naturalmente nenhuma mudança social é vista como um crescimento, se não por aqueles que querem ser Pessoa, que querem vestir-se e não serem censurados, por aqueles, por aqueles que querem viver cada um nas suas casas (se as tiverem) continuando a viver o seu amor de forma livre e independente, enquanto não têm filhos, por aqueles que sendo mulheres querem ser homens, por aqueles que querem justiça para os agressores e abusadores sexuais de crianças, tantos aqueles que não cabem aqui relatar…
Já lá vai o tempo em que se escrevia nos muros das ruas “Os ricos que paguem a crise”, agora, que temos liberdade de expressão dos nossos pensamentos, poderíamos dizer” baixem um pouco a barricada que nos separa, não esquecendo que de um lado está a força do trabalho e do outro os exploradores de quem trabalha, hoje novos escravos, invisíveis, que grande parte da sociedade já acha normal.
Os detentores do poder criam pequenos poderes para que a cadeia não se quebre. Se a cadeia quebra é sinal de fraqueza e, então, as liberdades, dadas como adquiridas, começam a enfraquecer e o povo começa também a deixar de acreditar nos ideais de Abril.