Homenagem a Fernando Baeta Neves, um grande antifascista e democrata
Fernando José Montez Baeta Neves faleceu no passado dia 9 de agosto, no Hospital de Cascais, aos 85 anos.
Ao longo das décadas foi apontado como um dos casos mais dignos e exemplares da luta estudantil dos anos 60.
Fernando Baeta Neves nasceu a 3 de março de 1941 e destacou-se na crise académica de 1962, tendo sido expulso da Universidade de Lisboa em 1964.
Militante do PCP desde 1961, foi preso pela PIDE no dia 21 de janeiro de 1965, juntamente com dezenas de outros estudantes, após denúncia do elemento do PCP que o recrutara e que era o responsável pelo sector estudantil de Lisboa e que passara a colaborar com a polícia política.
Preso no Aljube durante dois dias, depois de interrogado na sede da PIDE, Fernando partiu e engoliu as lentes dos óculos. Como fez questão de sublinhar no depoimento que deu ao Museu do Aljube a 25 de Abril de 2019, o ato não se deveu a um desejo de heroicidade nem se tratou de qualquer tentativa de suicídio. O objetivo era ganhar tempo para perceber o que se estava a passar, tendo em conta o manancial de informação de que a polícia política dispunha.
Foi, de imediato, levado para o Hospital de São José e, depois, para o Hospital da Ordem Terceira de São Francisco da Cidade. Depois de operado e da convalescença sempre com um polícia à porta do quarto, seria restituído à liberdade a 22 de fevereiro.
Mais tarde, conseguiu concluir a sua licenciatura na Universidade de Lisboa
Após a restauração da democracia em Portugal pós 25 de Abril de 1974 manteve um forte compromisso cívico. Nas últimas décadas da sua vida, fixou-se na região de Sintra, onde se tornou um membro muito ativo do Bloco de Esquerda. Destacou-se pelo seu envolvimento em causas sociais e políticas a nível local, integrando o núcleo do partido na região por mais de vinte anos.

