AS SÍLABAS MARGINAIS/UMA VERGONHA PORTÁTIL/por NELSON FERRAZ

 

 

UMA VERGONHA PORTÁTIL

 

hoje, na vila

há um país enrodilhado na escuridão daquilo que foi

o país antigo.

 

um país que a coberto das sombras

(das sombras que algumas pessoas são)

permite que certas romarias tenham o seu momento de vergonha.

 

e é uma vergonha ser gente de um país que não diz Basta

à exibição da crueldade ancestral que resiste à inteligência.

 

as corridas de toiros ainda são nódoas sem rédeas

e o país não tem (nem quer ter) a vontade para usar lixívia.

 

hoje, na vila

sob um sol limpo de verão escorre o sofrimento colorido

de uma praça portátil e sem qualquer misericórdia.

 

estranha forma de ser-se humano.

 

que diria Bartolomeu?

 

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