UMA VERGONHA PORTÁTIL
hoje, na vila
há um país enrodilhado na escuridão daquilo que foi
o país antigo.
um país que a coberto das sombras
(das sombras que algumas pessoas são)
permite que certas romarias tenham o seu momento de vergonha.
e é uma vergonha ser gente de um país que não diz Basta
à exibição da crueldade ancestral que resiste à inteligência.
as corridas de toiros ainda são nódoas sem rédeas
e o país não tem (nem quer ter) a vontade para usar lixívia.
hoje, na vila
sob um sol limpo de verão escorre o sofrimento colorido
de uma praça portátil e sem qualquer misericórdia.
estranha forma de ser-se humano.
que diria Bartolomeu?

