SOMOS FILHOS DA UTOPIA por Luísa Lobão Moniz

 

Continuação de parte I

E é verdade! Onde está a defesa do Serviço Nacional de Saúde, onde está a Escola mediadora de conflitos entre todos aqueles que “vivem” na escola, onde está a escolaridade igual para todos. Não é o facto de se entrar pelo portão da escola que se podem ver as igualdades, onde está a Educação Inter cultural para a Liberdade?

Todos nós sabemos onde está, nas gavetas de quem lidera e quer manter o povo ignorante, o povo do “tanto me faz”.

O poder político está embrulhado em fitas apertadas do capitalismo, veja-se o que se está a passar em Cuba. Não há Cubanos, há números, há dinheiro, há castigo por quererem uma sociedade mais igualitária a que chamam socialismo.

Vivemos no século XXI, em que o combate ao capitalismo tem de começar em cada um de nós, como sempre aconteceu, se o povo não se revolta, ninguém se vai revoltar por ele.

Todas as sociedades são feitas e refeitas pela vontade do povo, não há drone que derrube as sociedades escolhidas pelo povo.

Não há uma vida boa se não criarmos caminhos para lá chegar. Mas não basta lá chegar, é preciso acarinhar as sociedades que se recriaram e dar força àquelas que estão a emergir, sem paternalismos.

É preciso pensar, é preciso actuar, é preciso mudar. Como diz Zeca Afonso É preciso avisar a malta, é preciso agitar a malta, é preciso uma consciência colectiva, é preciso que os nossos jovens fiquem no seu país para que com os seus conhecimentos e competências sejam reconhecidos como elementos válidos para um Portugal em ebulição política.

Quais os atractivos?

Participar activamente na sociedade que permitiu com os seus impostos pagar os seus cursos. Fará sentido um país formar os seus jovens com dinheiros públicos?

Gente nova com perspetivas renovadoras, com incentivos como o reconhecimento das suas investigações, o reconhecimento das suas intervenções em todas as áreas que fazem um país mais justo. Incentivar os seus “clientes” a participar nas suas comunidades, fazer aprender…

Viver em Democracia é uma arte de bem-estar, é ter alcançado uma utopia enquanto novas utopias vão emergindo…se assim não fosse ainda estaríamos na Idade Média. Queremos sempre mais e melhor.

A Democracia não é um regime perfeito e acabado, é preciso continuar a lutar por ela ou por outra organização social que tenha como prioridade as   pessoas.

As Democracias estão a morrer por dentro, dentro das suas instituições que não respondem aos verdadeiros interesses que emergiram no século XXI.

Não podemos estar presos no presente que é dominado pela comunicação social, pelo clima deprimente que certos partidos fomentam. É muito fácil pensar “a vida é assim mesmo”. Mas não, não é assim mesmo, é preciso dar um jeito.

Acontece, e sempre aconteceu, coube-nos a nós viver e gerir esta mudança que ocorre à velocidade da luz que muitos recusam, que muitos apoiam, que muitos não querem saber. É assim.

A Democracia só existe se o povo quiser mudar, participar com o que lhe der prazer, saber que está a fazer parte da mudança

O conhecimento da história ensina-nos que não basta votar para sermos livres, é preciso que a sociedade civil também se empenhe nessa mudança política. É preciso saber contestar e inovar.

A luta pela Democracia continua! (Timothy Snyder)

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