AS SÍLABAS MARGINAIS/escuto as manhãs a caírem da chuva/por NELSON FERRAZ

 

 

escuto as manhãs a caírem da chuva

e não há como escapar ao desperdício das palavras

quando a música é um poema sobre os vidros do silêncio.

sobre todas as dúvidas, digo

que as transformei em chávenas de café

autografadas pelos lábios de uma revolução que arde.

dentro e fora de todas as pessoas

os labirintos embebedam-se de janelas

que dão para paisagens sem rios.

o tempo dá-nos manuais para não sairmos do carreiro

enquanto a tragédia carrega o seu chicote sobre os mapas.

a estupidez ferve sobre o peito das avestruzes.

o senhor xis é uma besta em chamas.

a humanidade ficou um deserto construído por espantalhos.

coloco água em pequenas vasilhas.

e não. não deixarei que as abelhas morram à sede.

 

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