escuto as manhãs a caírem da chuva
e não há como escapar ao desperdício das palavras
quando a música é um poema sobre os vidros do silêncio.
sobre todas as dúvidas, digo
que as transformei em chávenas de café
autografadas pelos lábios de uma revolução que arde.
dentro e fora de todas as pessoas
os labirintos embebedam-se de janelas
que dão para paisagens sem rios.
o tempo dá-nos manuais para não sairmos do carreiro
enquanto a tragédia carrega o seu chicote sobre os mapas.
a estupidez ferve sobre o peito das avestruzes.
o senhor xis é uma besta em chamas.
a humanidade ficou um deserto construído por espantalhos.
coloco água em pequenas vasilhas.
e não. não deixarei que as abelhas morram à sede.

