dia após dia, guerra e tempestade, tempestade e guerra,
sem outra notícia que a repetida
tragédia dos vivos, enorme
fado sufocando a luz das coisas inocentes.
escondidos dentro de nós próprios
embrulhados em fundas feridas, naufragamos
nos vértices das encruzilhadas
enquanto as frinchas da noite
engolem todos os oceanos.
não há palavras, apenas uma dor sem remos,
um desassossego sem ombros.
de nós, querem os joelhos doridos e a submissão
sem reservas, na cumplicidade oblíqua do chão.
somos o último comboio da noite
dentro de um túnel a desmoronar-se.

