AS SÍLABAS MARGINAIS/dia após dia/por NELSON FERRAZ

 

 

dia após dia, guerra e tempestade, tempestade e guerra,

sem outra notícia que a repetida

tragédia dos vivos, enorme

fado sufocando a luz das coisas inocentes.

 

escondidos dentro de nós próprios

embrulhados em fundas feridas, naufragamos

nos vértices das encruzilhadas

enquanto as frinchas da noite

engolem todos os oceanos.

 

 

não há palavras, apenas uma dor sem remos,

um desassossego sem ombros.

 

de nós, querem os joelhos doridos e a submissão

sem reservas, na cumplicidade oblíqua do chão.

 

somos o último comboio da noite

dentro de um túnel a desmoronar-se.

 

 

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