Enviado por Philippe Murer, do Forum Démocratique
Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
Jérôme Cahuzac e Jean-Luc Mélenchon afrontaram-se fortemente na segunda-feira à noite, no canal France 2, sobre o tema de como reduzir a dívida pública. O ministro do Orçamento acusa o ex-candidato às Presidenciais de querer o falhanço do actual governo.
Adepto de ataques fortes e repentinos e de se empenhar muito emotivamente nos debates, Jean-Luc Mélenchon não faltou a esta sua reputação, na segunda-feira à noite no canal France 2. O diálogo sobre os meios para reduzir a dívida pública francesa, entre o ministro responsável pelo orçamento, Jérôme Cahuzac, e o ex-candidato às Presidenciais transformou-se muito rapidamente em confronto azedo . Alguns excertos desse debate :
Estar-se nas tintas para toda a gente
Eis pois o que diria o meu governo (se chegássemos ao poder): pagaremos quando pudermos”, lançou, logo ao início, Jean-Luc Mélenchon. “E aqui seria até o Banco Central que iria financiar, se as taxas de juros alguma vez viessem a explodir… A dívida, iremos pagá-las mas à medida que o pudermos fazer . “E se assim for aqueles a quem a devemos deverão esperar., continuou.
Resposta do ministro responsável pelo Orçamento: ” reembolsar (a dívida) não vai ser fácil …” Fazer crer que vamos 1,8 milhão de milhões de euros facilmente, como assim, um pouco como que por magia (…) é estar-se nas tintas para toda a gente, disse‑o então o ministro, de um tom de voz muito vivo. Não vai funcionar, o que Jean-Luc Mélenchon está a dizer. Não será suficiente para convencer o Banco Central a imprimir euros como o Fed imprime dólares, como o Banco da Inglaterra imprime libras esterlinas. Apesar das suas admoestações, não conseguiremos isso do BCE porque este é um Banco Central independente.
“O senhor será Cahuzandreou com Hollandreou”
Jean-Luc Mélenchon também estimou que o governo não conseguirá manter os seus objectivos de crescimento de 0,8% em 2013 e a redução do défice público para o valor de 3% do PIB até ao final do ano, o que irá, na sua opinião, obrigar o governo a adoptar, a aprovar, um segundo plano de austeridade”jêr, disse ele. “O senhor vai ser Cahuzandreou com Hollandreou, de um plano de austeridade a outro , de austeridade a austeridade e ainda mais austeridade “, acrescentou o líder do partido de esquerda.
Pare essa palhaçada
“”Pare de fazer de palhaço, o senhor merece melhor do que isso. O senhor tem 4 milhões de votos em seu nome, isso não o autoriza a fazer de palhaço em directo na televisão, “respondeu secamente Jérôme Cahuzac, protestando contra o jogo de palavras que Jean-Luc Mélenchon acabava de pronunciar, referindo-se ao nome do antigo primeiro-ministro grego Georges Papandreou que foi forçado a deixar o poder por causa da crise que varreu toda a Grécia.
” O senhor é um homem só , Jean-Luc Mélenchon “
Enfim, as alfinetadas mais agressivas deram-se nos minutos finais, depois de um debate de uma hora e meia num tom durante muito tempo bem contido. “No fundo de si mesmo, o senhor deseja o fracasso do governo de esquerda. E isso, eu acho que isso é muito triste. O senhor nunca irá ganhar as eleições, o poder, porque o senhor é um homem só, disse Jérôme Cahuzac. Mas isto não pareceu ter afectado o tribuno que respondeu: “os senhores irão de fracasso em fracasso, porque todo mundo o sabe já. Já falharam na Grécia, em Espanha, em Portugal e na Itália”, respondeu Jean-Luc Mélenchon.


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