por Rui Oliveira
Voltamos a um dia, esta Sexta-feira, 3 de Maio em que não há eventos magnos novos nas grandes salas de espectáculo da capital (para mais tendo o concerto de Cass McCombs no Maria Matos sido cancelado/adiado…), mas subsistem contudo alguns motivos de interesse que passamos a referir.
Na Sala Principal do São Luiz Teatro Municipal sobe ao palco, às 21h, o fadista Helder Moutinho para, tendo como ponto de partida o seu mais recente disco “1987”, cantar as quatro histórias que o integram: “Os Dias da Liberdade”, “A História de Um Desencontro”, “O Luto de Uma Relação” e “Maria da Mouraria”, na voz e com a emoção próprias e únicas do fadista.
Com ele, no palco, estarão Ricardo Parreira guitarra portuguesa, Marco Oliveira viola e Ciro Bertini baixo.
A opinião crítica (cita o São Luiz TM) é muito favorável , vide “um dos melhores álbuns de fado dos últimos anos, onde ao seu habitual bom gosto na escolha do reportório se alia uma qualidade interpretativa de primeira, impecável de contenção e sentimento” (João Miguel Tavares), “… só os maiores podem deixar a voz cair neste registo em que os instrumentos, perfeitos, saem da frente e limitam-se a seguir-lhe na cauda, discretamente” (Gonçalo Frota) ou “…tudo nele cresceu assombrosamente, muito perto da perfeição. Ouçam-no, por exemplo, em «Venho de um tempo», primeiro quadro da história que escreveu, e é impossível não ficar preso à voz que nos abre as portas do tempo, o tal “tempo onde o tempo não havia” (Nuno Pacheco).
É exactamente este último poema da autoria do próprio Helder Moutinho que vos mostramos :
Outro artista (ou melhor grupo) em destaque recente se exibe num concerto às 21h30 desta Sexta-feira, 3 de Maio no palco do Coliseu dos Recreios – trata-se de os Deolinda que, três anos após o lançamento de “Dois Selos e um Carimbo”, regressam com um novo conjunto
de originais já editado como “Mundo Pequenino” (2013) e produzido com o apoio de Jerry Boys (ex-Abbey Road Studios).
Oportunidade para escutar aquela que se convencionou considerar uma das mais significativas expressões da “geração à rasca”, composta pela voz de Ana Bacalhau, acompanhada por Luís José Martins guitarra, Pedro da Silva Martins guitarra, Zé Pedro Leitão contrabaixo e Sérgio Nascimento bateria.
Parece que o single de estreia “Seja agora” se tornou já popular, mas optamos por divulgar antes o tema “Musiquinha” (com uma suave denúncia da imobilidade Já que a ninguém espanta ver que isto não avança…) :
Mudando radicalmente de registo musical, aqueles que se desloquem nesta Sexta-feira, 3 de Maio, às 21h30 ao Auditório do Museu do Oriente irão assistir a “Rhythm Yatra”, que pode ser traduzido livremente como “A Jornada do Ritmo”. Exibindo intricados padrões rítmicos musicais, quatro artistas de renome internacional reúnem-se para apresentar um som único, tirando o máximo partido do poder dos instrumentos de percussão da Índia.
O grupo é constituído por Prathap e Prakash Ramachandra, dois irmãos radicados em Inglaterra, especialistas em música do Sul da Índia, nomeadamente no fascinante ghatam (pote de barro) e na tradicional mridangam. Juntam-se a eles Kousic Sem, no tabla, e Bernhard Schimplesberger.
A primeira parte do concerto é dedicada a repertório puramente clássico, unindo instrumentos tanto do Norte como do Sul. Na segunda parte, aventuram-se na experimentação e na música de fusão, convidando o público a interagir. Enquanto grupo de percussão, prevê-se uma experiência emocionante já que reúne registos de jazz, clássico e de vanguarda, pois a percussão indiana tem características únicas, com a sua própria linguagem e sílabas, o seu potencial para melodias, e seus maravilhosamente complexos padrões matemáticos.
Esta é uma exposição didáctica recente feita por este grupo em Cambridge (U.K.):
Voltando à Europa, há nesta Sexta-feira, 3 de Maio, no Auditório da NOVA (Campus de Campolide), às 21h, um concerto estimulante intitulado “Novos Compositores” pela Orquestra Metropolitana de Lisboa, sob a direcção musical do maestro israelita Nir Kabaretti (foto)
(também director da Orquestra de Santa Bárbara, Califórnia).
Será a estreia pública das peças vencedoras num concurso em que, no início da temporada, a Metropolitana e o “mpmp” (Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa) haviam desafiado novos compositores a apresentar uma obra original, tendo como mote comum o legado de Joseph Haydn. Assim o programa consta dessas duas composições, a par da Sinfonia n.º 100 de Haydn e a Sinfonieta que Fenando Lopes-Graça dedicou ao compositor austríaco.
Francisco Chaves – Sinfonieta em três andamentos (estreia absoluta *)
Fernando Lopes-Graça – Sinfonieta, LG 64, “Homenagem a Haydn”
Carlos Filipe Cruz – Sobre frutos secos (estreia absoluta *)
Joseph Haydn – Sinfonia n.º 100 em Sol Maior, “Sinfonia Militar”
* obras vencedoras do Concurso Novos Compositores
E já que obviamente não há ainda registo das estreias (mas lamentavelmente também não da peça de Lopes-Graça !) e estamos numa homenagem a Haydn, ouça-se uma sua execução integral (e célebre) da Sinfonia Militar pela New Philharmonia Orchestra dirigida por Otto Klemperer em Outubro de 1965 :
Inicia-se nesta Sexta-feira, 3 de Maio, prolongando-se até 11 de Maio (Sábado), a 7ª edição da “Mostra do Documentário Português” que decorrerá entre o Cinema São Jorge, o Teatro do Bairro e a Cinemateca Portuguesa.
Neste dia de abertura (que por coincidência assinala o primeiro aniversário da morte de Fernando Lopes, realizador marcante no movimento chamado Cinema Novo português) será exibido no Cinema São Jorge, às 21h, o seu filme “Belarmino” (1964), a primeira média-metragem por ele realizada em Portugal sobre a vida do pugilista Belarmino Fragoso.
A sessão vai contar ainda com a actuação do Trio Hot Club de Portugal, formado por Manuel Jorge Veloso (bateria), Bernardo Moreira (contrabaixo) e Justiniano Canelhas (piano), o qual (trio) entrara numa cena do filme de Fernando Lopes.
E lembremos um seu excerto final :
E por termos falado em jazz, assinale-se a estreia (julgamos) no Onda Jazz, às 22h30 desta Sexta-feira, 3 de Maio, do Paulo de Carvalho Quarteto num espectáculo a que chamou “Anti-Crise”.
Anunciam-se no palco Victor Zamora(de Cuba),piano, Leo Espinosa (de Cuba), baixo, Marcelo Araújo (Brasil/Portugal), bateria, Ruca Rebordão (Angola, Brasil, Portugal), percussões e Paulo de C.(cada vez mais cidadão do Mundo Português), voz.
Afirma este cantor : “A verdadeira Crise somos nós. Vontade de trabalhar em conjunto é a resposta ao que nos rodeia . No nosso caso é fazer música. Partimos para um conjunto de concertos em clubes que nos permitem tocar alguns dos temas de que gostamos. Primeiro em Lisboa, depois logo se vê …”.
Por fim, integrado numa reunião de 3 a 5 de Maio promovida pelo “Movimento Associativo Cabo-Verdiano na Diáspora”, tem lugar na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa, às 21h desta Sexta-feira, 3 de Maio, o que designaram por a grande noite “Cabo Verde – Um Mundo de Música”.
Com este concerto pretendem “celebrar a música sobre a emigração e a diáspora cabo-verdianas e, assim, homenagear as várias gerações de compositores e intérpretes cabo-verdianos que não têm regateado esforços na divulgação, na promoção e na disseminação da (nossa) crioulidade pelo mundo”.
Pela voz de intérpretes de várias gerações, desde Titina Rodrigues, Celina Pereira, Marino Silva, Dany Silva e Mandinho Nha Djena, até Zezé Barbosa, Mário Rui, Calú Moreira, Juary Livramento, Silva Rosa e Vilma Vieira, serão evocados todos os géneros musicais cabo-verdianos e as vozes de Eugénio Tavares, B.Léza, Fernando Quejas, Codé di Dona, Manuel de Novas, Abílio Duarte, Renato Cardoso, Orlando Pantera, entre outros grandes compositores consagrados na memória musical colectiva cabo-verdiana.
O concerto contará com a direcção musical de José Afonso (piano, voz) e ainda com Paló (guitarra, voz e cavaquinho), Tó Barbosa (violino), Ju Cabral (baixo e voz), Tony Bat (bateria e voz) e Jair (percussão e voz). Participarão ainda no concerto a Orquestra Geração Lisboa, a qual integra jovens descendentes de cabo-verdianos, e algumas vozes-surpresa.
Lembra-se ainda, por último, que abre nesta Sexta-feira, 3 de Maio, no Museu da Electricidade a exposição ao público das fotografias vencedoras do “World Press Photo 2013”, que ali permanecerão até ao próximo dia 26 de Maio, de Terça a Domingo, entre as 10h e as 18h. A entrada é gratuita.
Ali vai ser possível ver fotos como a do sueco Paul Hasen que mostra grupo de homens a transportar os cadáveres de duas crianças mortas num ataque aéreo israelita em Gaza em 20 de Novembro de 2012 e que foi eleita pelo júri internacional como a “Foto do Ano”.
No conjunto, o júri do World Press Photo atribuiu prémios em nove categorias temáticas a 54 fotógrafos de 33 nacionalidades diferentes. O português Daniel Rodrigues foi distinguido na categoria “Vida Quotidiana” com uma imagem a preto e branco onde se pode ver um grupo de crianças a jogar futebol num campo, em Dulombi, na Guiné-Bissau.
Mostramos aqui ambas as fotografias, propondo-nos em dias próximos ir divulgando os restantes prémios atribuidos.
(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Quarta aqui)




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