Da Galiza, mensagem : Nadarias – por Isabel Rei

Da Galiza mensagem

Nadarias

1.

Um amigo sábio que tenho convidava-me o outro dia a fazer poesia inútil. Porque, dizia, a melhor poesia não vale para nada. Eu lembrava-lhe que já Pessoa andava nessas. Alguns poderão considerar o meu amigo um pouco radical, pois a poesia pode valer para se ler, para se desfrutar, mesmo para não se compreender ou para dizer aquilo que a prosa não alcança. Mas ele, e Pessoa, e Wilde, e Machado insistiam em que a melhor arte distingue-se precisamente porque é inútil e não vale para nada…

2.

   Um amigo sábio convidava-me a fazer arte inútil.
Porque, dizia, poesia não vale para nada.
Eu lembrava-lhe que já Pessoa andava nessas.
Alguns poderão considerá-lo radical,
poesia pode valer para se ler,
para se desfrutar,
para não se compreender,
para dizer o que prosa não alcança.
Mas ele, e Pessoa, e Wilde, e Machado
insistem em que a melhor arte é inútil
e não vale para nada…

3.

   Dizia-me um amigo,
Pessoa, Wilde, Machado:

para não compreender
a prosa não alcança.

   Poesia, arte inútil,
porque vale pra nada…

Carlos Silvar (1954) Galeria Sargadelos
Carlos Silvar (1954) Galeria Sargadelos

 

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3 Comments

  1. não concordo com isso de a poesia não valer para nada (só talvez no sentido crematístico do capitalismo feroz…), e importa-me um c. (*) quem o diga; concordo antes com o Evanildo Bechara quando diz: “O falante domina o sistema de uma língua quando está em condições de criar nela” (“Moderna Gramática Portuguesa”, Editora Lucerna, Rio de Janeiro, 2005, p. 43);

    as poetas dominam a língua, c’est tout! abraço!

    [(*) c.=corno…]

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