Selecção e tradução por Júlio Marques Mota
Parte II
Grécia: Berlim evoca uma nova ajuda para 2014
Le Monde.fr | 18.07.2013 à 19h50
(continuação)
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Uma frágil maioria governamental de três votos no Parlamento
Depois, a coligação assenta somente nos deputados do Pasok e da Nova Democracia, que representam 153 dos 300 lugares que compõem o Parlamento grego, ou seja uma maioria frágil de três votos. Várias medidas deste novo projecto de lei sendo particularmente impopulares — como a abolição total das polícias municipais- alguns membros da maioria têm emitido nestes últimos dias várias reservas sobre a sua vontade de votar para fazer passar este projecto.
Encontro de simpatizantes comunistas perante o Parlamento grego, no centro de Atenas, no dia 11 de Julho.
Os sindicatos compreenderam claramente e comprometeram-se – para além da clássica mobilização social na rua – um trabalho de lobing junto dos membros do parlamento. “Vamos tentar chegar aos mais reticentes, que muitas vezes discordam deste ou daquele artigo ou disposição, para que não votem o projecto,” disse um alto responsável do Sindicato da Função Pública territorial POE – OTA da União.
O governo parece estar em todo o caso muito determinado em honrar os compromissos assumidos para com a “troika” a partir de 2012 e até agora muito dificilmente postos em prática devido à forte resistência nos serviços. Assim, desde há meses que os empregados municipais estavam a bloquear, a nível das câmaras, a entrega junto dos ministérios das listas com os nomes dos agentes que podem ser demitidos. “Isto é para contornar a nossa táctica que este governo decidiu fechar departamentos inteiros. Mais nomes a entregar, cortam mesmo tudo! “, explica Themis Balassopoulos Presidente do sindicato POE – OTA.
A votação do projecto de lei é, portanto, duplamente estratégica. É o pré-requisito para a chegada no muito curto prazo do dinheiro para os cofres do Estado, mas também é uma oportunidade para o governo testar a sua unidade e a sua capacidade de mobilizar, a seu favor, o Parlamento para continuar a passar as medidas impopulares exigidas pelas entidades financiadoras do país.
3 Março de 2010
Primeiro plano de rigor : 4,8 mil milhões
Sob a pressão dos mercados e dos parceiros da UE, o governo grego apresenta uma nova vaga de medidas de austeridade. Um congelamento das pensões, cortes nos salários e um aumento do IVA devem chegar a libertar cerca de 4,8 mil milhões de euros.
2 de Maio de 2010
Segundo plano de austeridade: 30 mil milhões
Depois de meses de hesitação, a União Europeia, Fundo Monetário Europeu e a Grécia concordam em 2 de Maio de 2010, num plano de resgate de 110 mil milhões de euros em três anos. Em troca, o governo de Papandreou compromete-se a um grande plano de poupança de 30 mil milhões de euros, incluindo cortes de salários de 10% na função pública e uma reforma do sistema de pensões O retorno aos 3% do défice relativamente ao PIB fica adiado para 2014
9 Junho de 2011
Terceiro plano de rigor: 28,4 mil milhões e privatizações
O Parlamento grego adoptou no final de longas negociações, um novo plano de austeridade de 28,4 milhares de milhões de euros ditado pelo FMI e União Europeia, a troco da quinta parcela do plano de resgate. A isto se acrescentam 50 mil milhões de euros libertados pelas massivas privatizações.
Não chega: um mês depois, a troika, o FMI e o Banco Central Europeu, é forçada a criar um segundo plano de resgate de 158 mil milhões de euros, dos quais 109 mil milhões de euros de empréstimos distribuídos entre o FMI e o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF).
(continua)
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