Falemos da política económica actual, falemos então de putas.
(continuação)
Parte II
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A Espanha em crise e submetida às políticas de austeridade impostas por Bruxelas vai mesmo um pouco mais longe neste caminho e abre o caminho à Las Vegas Sands Corp, conforme podemos ler:
“O grupo Las Vegas Sands do multimilionário americano Sheldon Adelson confirmou na sexta-feira a construção de um complexo de Casinos gigante perto de Madrid, seis anos depois de ter anunciado este projecto para criar até 200.000 postos de trabalho a prazo.
O complexo será construído em Alcorcon, um subúrbio a sul de Madrid, ”numa área de 750 hectares”, disse o chefe do governo regional, Ignacio Gonzalez, numa conferência de imprensa, ao lado do número dois da Las Vegas Sands, Michael Leven.
“Esperamos lançar a primeira pedra no final do ano” e que “esta primeira fase esteja concluída em 2017″, acrescentou. Todo o projecto está planeado sobre um período de 15 a 18 anos.
Michael Leven disse que a primeira das três fases de construção previa quatro Hotéis de 3.000 quartos cada, casinos e infra-estruturas de lazer.
Segundo ele, o projecto deve gerar cerca de 40.000 empregos directos e aproximadamente 40.000 indirectos num país onde a taxa de desemprego é superior a 26%.
“É o mais importante investimento que irá ter lugar em Espanha nos próximos anos,” congratulou-se Ignacio González, confirmando que as leis da região tinham sido alteradas para acomodar o projecto e que o concurso iria ser formalmente lançado em Abril.
O magnata dos casinos americanos Sheldon Adelson tinha afirmado em 8 de Setembro preferir Madrid a Barcelona para estabelecer um vasto complexo de 12 hotéis, nove teatros, três campos de golfe e salas para congressos em que se pretende criar até 200 mil empregos, sobre 10 a 15 anos.
Mas Las Vegas Sands está empenhada em fornecer 35% dos fundos da primeira fase de 6,8 mil milhões de euros, enquanto visa um retorno sobre o investimento de 20%. Em Junho, Michael Leven reconheceu ele mesmo problemas para encontrar um financiamento, num país onde o sector bancário teve que ser resgatado pela União Europeia.
“Sim, nós temos o dinheiro” disse ele, na sexta-feira, confirmando que Las Vegas Sands iria ser financiada a partir dos seus próprios fundos entre 35 e 40 por cento da primeira fase, cerca de 2,68 mil milhões de euros.
Para o resto do financiamento para 2014, os bancos disseram-nos que nos dariam o dinheiro, acrescentou. Adelson disse repetidamente que bancos americanos e asiáticos, bem como bancos espanhóis iriam participar do projecto.
Apoiado pelo partido popular, de direita, no poder em Madrid como no país, o projecto tem sido denunciado pela oposição de esquerda e por várias associações que criticam ‘ a sua opacidade’
Os opositores, reunidos na plataforma Eurovegas NÃO., dizem que o projecto é uma “fraude” e denunciam a modificação da legislação que vai criar, segundo eles, um verdadeiro “paraíso fiscal”, incentivando o branqueamento de capitais.
Eles também temem que seja uma porta aberta para as máfias da prostituição e denunciam um retorno aos excessos da bolha imobiliária, que terá precipitado o país na crise em 2008.
O pequeno partido ecologista Equo interpôs um recurso junto da Comissão Europeia contra “a lei de acompanhamento ” votada no final de Dezembro pela região de Madrid, para permitir a criação deste complexo, que reduzido inclusive o imposto sobre os jogos para 10%.
“É um escândalo total,” disse Pipa Lopez, porta-voz do partido Equo. “É um paraíso fiscal no seio da União Europeia e além disso um site onde vai ser muito fácil a lavagem de dinheiro e onde os menores entrar nos recintos do jogo “[1].
De novo Bruxelas e tudo o que é sórdido pode ser visto em conjunto e em nome das políticas de austeridade não questionável. Viva a austeridade, era a saudação de Lagarde e Olivier Blanchard em Riga, depois de terem destruído a Estónia com essas mesmas políticas. E tudo aponta para que em Espanha venha a ser a mesma coisa.
Falar de política económica actual é então também falar de putas, como se vê. E esta questão, como é ela abordada em França? Simples, a muito católica França, pela mão dos socialistas, a comprar uma manobra de diversão contra a crise actual, e nisso os socialistas têm uma grande capacidade de imaginação, inventam uma forma de combater a prostituição, mas não proibindo as meninas de prazer, levando porém a que estas fiquem mais escondidas que nunca. Que se faz então ? Multam-se fortemente os seus clientes, sejam rapazes, homens de meia-idade ou velhos. Este facto deu aso a que uma série de gente tenha produzido um manifesto, “Le manifeste des 343 salauds” a favor do direito de ir às putas, uma espécie de alusão ao manifesto das 343 « salopes » que declararam ter abortado, em 1971. Acontece que esse manifesto foi publicado pela revista Causeur que de vez em quando leio, até porque nesta escreve o economista que muito respeito, Jean-Luc Greau, antigo conselheiro do Patronato Francês, e acabo de ter conhecimento de todos os insultos que a esquerda bem-falante do PS tem proferido contra os assinantes deste manifesto. Dada a hipocrisia que a sociedade apresenta perante um tema como este, decidi publicar o artigo de Frédéric Beigbeder, que por mero acaso e por brincadeira terá criado o nome” manifesto dos 343 salauds”.
Mas já agora um detalhe, falamos de multas, falamos de receitas para o Estado num país também ele sujeito às políticas de austeridade. Será isto muito diferente, do ponto de vistas das receitas do Estado, do que se passa em Portugal, país onde se inventa taxas e multas para tudo, desde que com isso se aumentem as receitas para os cofres do Estado? Será mesmo diferente? Não o creio. E nem é por acaso que isso acontece quando a França está a ser martelada pelos mercados de capitais. E a Standard and Poors, baixa-lhe a notação de um nível. Que diz o governo? Pasme-se:
- Declaração do primeiro-ministro francês [2]
O primeiro-ministro, Jean-Marc Ayrault, reagiu à baixa de notação da França, afirmando que a nota da dívida pública francesa continua a ser “uma das melhores do mundo” e afirmando que a agência de rating ‘não teve em conta todas as reformas’ na sua análise, especialmente a que está em vias de ser adoptada, a das reformas. «É uma boa reforma, não é ainda completamente. «É uma boa reforma, não está ainda completamente votada, será aprovada pela Assembleia Nacional ( depois de ter sido rejeitada pelo Senado, nota da edição do jornal ) no final do ano “, diz o primeiro-ministro, que dá como outros exemplos a “reforma do mercado de trabalho” (…). “A Agência fala de perspectivas. Alguns países têm perspectivas negativas, este não é o caso da França, também, disse o chefe do governo.
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