A Primavera no poço, por Fernando Correia da Silva

 

 

 

 

 

 


 

            A Primavera no poço,

            minha filha, solidão.

            Vampiro de estimação

            traz cravado no pescoço.

            Onde o céu, onde o balouço,

            embalado na subida?

            A meio curso foi colhida.

            Onde o riso que não ouço?

            Onde a chama que não brilha?

            Alçapão em armadilha

            a esvair-lhe o sangue moço.

            Caída no meio de estrume,

            lanterna de vaga-lume,

            minha filha pele e osso.

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