Abuelo Raúl e Abuela Gloria, for nameless Isley e elder sister May Malen

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

http://www.youtube.com/watch?v=EPB-p8i4P-E

 

 

Mozart songs for babies

 

SERMOS AVÓS OU LAKU E KUDÉ  MAPAI

em língua mapudungún da Nação Mapuche que habita Chile e Argentina

ENSAIO DE ETNOPSICOLOGIA DA INFÂNCIA.

 

Para Felix Isley e a nossa filha Camila nascida Iturra González que acabam de nos oferecer num neto sem nome. Pensamos que seria neste fim-de-semana far-nos-á avós pela terceira vez. Primo dos van Emdens, Tomas e Maira Rose, sobrinho de Cristan e Paula, nascida como a sua irmã mais nova,  Iturra-Gnzález.

 

Foi um telefonema longínquo. Do nosso genro mais novo, Felix Jaspar Isley. Disse-me: – nasceu! (não era o meu imaginário, nasceu a mamar… dos peitos da nossa filha.   Fiquei sem palavras. Mais um neto, tão esperado! A nossa genealogia com esta rapaziada nova, muda várias vezes. Cinco ao todo!

 

Como todos sabem, tenho estudado crianças ao longo de dezenas de anos. Com amor e paciência, em silêncio e com orgulho paternal. Como me era habitual, tinha solicitado aos mais novos, desde o primeiro dia, detalhes sobre a sua genealogia. A nossa, a conheço de cor e salteado. Fomos construindo esses preciosos documentos domésticos entre a família, os Picunche da Cordilheira dos Andes, as crianças da Freguesia de Vila Ruiva, na Beira Alta, ao longo de vários troços de tempo, normalmente um ou dois anos cada vez, na Paróquia de Vilatuxe, na Galiza. Sítios diferentes e distantes. Em todos eles, as crianças vinham ter comigo no dia seguinte com o diagrama da composição do lar. Perguntava eu: – Quem te contou tudo isto? A resposta habitual era: Eu só conheço a minha família. Retorquia eu: – mas é assim tão pequena? A mais esclarecida das crianças sabia dizer que não, que havia mais em outros sítios da terra. O meu pedido habitual era para trazer um grande lençol de papel com a família toda. Lá iam as crianças e dia após dia, o lençol ia sendo acrescentado. Perguntava eu: – Quem foi que te contou tudo isto? A resposta unívoca dessas crianças todas, de países diferentes, distantes e de línguas diferentes – luso português, luso galaico, mapudungum[1] e castelhano pré cordilheira, eram sempre os avós que contavam e guardavam a memória da família. Não por escrito, mas ficava para sempre no pensamento e que actualmente fazemos em suporte de papel ou em suporte informático ou virtual. Os nossos netos, desde o dia que a nossa Camila começou a assistir as aulas, aprendeu num piscar de olho, a trabalhar de forma informática. Não sabia a escrita de hieroglíficos, foi preciso pedir ser ensinada a moda antiga. O resultado deste trabalho, guardo comigoem papel. Formatos de papel que guardo comigo, de tantos sítios visitados, transferidos para os meus livros. Como os da família. Os nossos netos não precisam de apontar: na sua mente e nas suas emoções, reside a memória de pais, tios, avós, primos, amigos, a quem evitar e com quem estabelecer amizade.

 

Mas, uma coisa era essa alegria de sermos pais, a minha mulher e eu, outra, completamente diferente, era subir na hierarquia das relações de família. Sermos pais, é o cuidado de amamentar, acarinhar, vestir, ensinar, passear, ter a atenção concentrada nos trabalhos dos nossos descendentes e tomar conta dos amigos que venham a ter, se ou não convenientes e adequados. Como relato no meu e-book de 2008, Mis CaméliasRecuerdos de padres interesados[2] Esse trabalho dura até o dia em que essa a nossa descendência cresce e apenas vão consultando a nossa memória de como é criar os seus filhos. Nós, pais interessados, respondemos com cuidado e sem receitas: “nós fizemos isto, conforme os tempos, quanto a ti, deves saber como correm os tempos, diferentes do dia em que eras criança”.

 

É o papel do laku e da chuchu o kudé papai. Que levamos muito a sério. É esse ver, ouvir e calar, esse dia que é apenas para os avós estarem com os filhos dos filhos e contar histórias ou do capuchinho vermelho ou de como era a infância dos seus pais. A infância inteligente e paciente, não essa infância dos berros e do não estudo, essa é a memória que deve ser guardada até os nossos próprios filhos a narrarem. Se for preciso, desenhar caras paterno/materna, levar para a casa um neto, se os nossos filhos precisarem, mas educar como eles fariam se estivessem presentes. Para não cortar laços, para guardar a memória do carinho desse pai/mãe necessariamente ausentes. Ser laku é um papel muito sério, não é para brincar nem para, às escondidas dos nossos filhos, corromper o comportamento dos nossos netos.

 

No dia que fomos laku e kudé papai, a minha mulher e eu passamos a ter esse imenso cuidado de não falar para corrigir, se os pais estavam presentes; se ausentes, dizer à moda dos pais. No dia sagrado dos avós, uma vez por semana, como Daniel Sampaio me tem confidenciado e relata nos seus livros, toda e qualquer tarefa fica de parte, como nós fazemos com Tomas e Maira van Emden, e teríamos feito com Bem I Ilsley, se não tivesse entrado na eternidade uma hora após o seu nascimento. Os nossos filhos passaram a ser crianças durante um tempo. A kudé papai, foi sempre a mais importante, como a mãe da mãe do novo rebento…  

 

Foi ao apresentar um livro meu, na Guarda, desse ano 2000, ao saber que era cheche, não parei de escrever livros para os nossos mais novos saberem como eram os seus pais quando tinham a sua idade. E para eles saberem como são as outras crianças. Passei a ser um pai distante e um avô sempre disponível conforme os cânones dos nossos descendentes. É assim que penso, é assim que faço, amo-os do fundo do coração.

 

O Isley sem nome, após duas semanas de espera, não nasceu, escorregou do corpo de mãe, que falava com o pai. Um avisado pai o agarrou, a mãe o requeria com urgência, nem teve tempo de gritar: bebeu do leite materno imenso tempo. O soro amniótico tinha acabado na cumprida espera. Tempos críticos, como será a apresentação a irmã mais velha….

 

Um novo livro deve nascer das minhas mãos em breve… para este bebé sem nome, esse Cachupin, o ás da bola, como o meu pai referia-me… Um outro tem nascido de lindos, sãos, trabalhadores e serenos pais

 

Cheche Raúl

Raúl Iturra

ISCTEIUL/CEAS-CRIA/Amnistia Internacional

18 de Agosto, de 2011, após a ansiosa espera do nascimento do britânico sem nome,  o nosso neto que, finalmente,  já está connosco….

 


[1] Abuela paterna y sus nietos: kuku. / Abuela materna. Sus nietos y nietas: chuchu. / Abuelita: kudé papai (dizem assim as crianças).
Abuelo paterno e os seus netos: laku. / Abuelo materno e netos: cheche.

[2] Iturra, Raúl, 2008: Titulo : Mis Camélias, livro escrito en Castelhano
URL: http://www.monografias.com/trabajos917/camelias-etnopsicologia-infancia/camelias-etnopsicologia-infancia.shtml

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