UM OUTRO MARCO POLO Clara Castilho

 

 

“Le Livre des Merveilles”, século XV, autor desconhecido – Chegada a Bukhara, convidados po Hulagu Khan parairem visitar Kubai Khan.
 
Há mais de 700 anos atrás Marco Polo (1254-1324), juntamente com seu pai Nicolau e seu tio Matteo, foi um dos primeiros ocidentais a percorrer a Rota da Seda. Os seus relatos foram, durante muito tempo, a única fonte de informação sobre a Ásia. Atravessando mares e erritórios, conhecendo reis, rainhas, relatou-nos o que viu com seus próprios lhos, em “A descrição do Mundo”.
 
Marco Polo – Uma ópera dentro de uma ópera foi apresentada pela rimeira vez em 1996, na Bienal de Munique. Comissionada pelo Festival de
Edimburgo e tendo também o apoio da Mary Flager Trust e da FundaçãoRockefeller, esta ópera de autoria do chinês Tan Dun foi gravada ao vivo em
Amesterdão nesse mesmo ano. Teve três produções diferentes e foi encenada em mais de 20 cidades ao redor do globo.
 
Tan Dun nasceu em Huan, em 1957. Depois de passar dois anos plantando arroz, durante a Revolução Cultural Chinesa, conseguiu trabalho como violinista numa trupe de Ópera em Pequim. Aos dezanove anos ouviu uma sinfonia de Beethoven o que fez com que decidisse ser compositor.
Fez o Conservatório de Pequim, e tornou-se o principal compositor do movimento “New Wave” na China, que adoptava um novo pluralismo cultural nas artes desenvolvidas no início dos anos 80. Mas o governo chinês declarou a música de Tan como poluidora de espíritos e as suas obras foram proibidas por algum tempo.

Mudou-se para Nova York em 1986, depois de receber uma bolsa de estudos da Universidade de Columbia, onde completou seu Doutorado em Artes
Musicais (1993). A música de Tan Dun é tocada ao redor do mundo por orquestras de renome, festivais internacionais, na televisão e no rádio. Foi escolhido para escrever a música de abertura e encerramento dos Jogos Olímpicos de Pequim.
 
 Nesta  ópera,  Marco é um e Polo é outro. Marco (representado por um homem) é o ser, a acção, o homem visto pelo externo. Polo (representado por uma mulher) é a voz interna da memória de Marco, o pensamento, o homem que é percebido a partir do interior. São duas jornadas, uma física e outra espiritual, são duas óperas em uma só. A fusão de ambas tem um único objectivo: a descoberta de experiências do passado e do presente, a partida do conhecido para o desconhecido.
 
 Está dividida  em quatro blocos chamados Livros do Tempo Espacial e cada um deles representa uma estação do ano. Na sua jornada Marco e Polo são guiados por Dante (Dante Aligheri (1265-1321) é considerado o primeiro poeta da língua italiana. Na sua “Divina Comédia” podemos compreender o modo medieval de ver o mundo).

 

Durante a viagem do Ocidente para o Oriente também se vão verificando mudanças musicais – instrumentos da Idade Média, da Índia, do Tibete e da China. No Livro do Tempo Espacial – Verão, a “cítara” e a “tabla”  fazem a ponte com o deserto. Quando se chega aos Himalaias são as trompas tibetanas que criam o ambiente e a China soa-nos através das “pipas”.
 
O libreto é de Paul Griffiths (1947-), crítico de música inglês e novelista. É uma versão ficcionada das memórias que Marco Polo que ditou a Rustichello de Pisa, um seu companheiro na prisão de Génova onde esteve preso ao regressar da China.

Rustichello que também é personagem na ópera, uma espécie de “narrador” que nos vai guiando entre as personagens.

 

A encenação espectacular é de Pierre Audi,com soluções muito inventivas que suscitam  grande agrado visual. O guarda roupa é igualmente vivo e criativo, de Jean Kalmey.
 
Poder apreciar esta obra, através do seu dvd é uma oportunidade de nos deliciarmos durante duas horas.
 

Tan Dun: Marco Polo (De Nederlandse Opera): 

 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Leave a Reply