Quase Madruguei – Maria Inês Aguiar

 

 

quase madruguei na tua boca
e quase me esqueci de mim
respirei do teu ar como quem ama
senti o teu desejo feito chama
o teu abraço cor de ouro
e terra sagrada
quase dia inteiro até ao fim

abri a porta da evasão e quase anoiteci na ilusão
quase escorreguei no suave roçagar do tempo
deambulando nas brumas transparentes da aurora
murmurando por entre névoas,
meu nome mulher

voei pelo universo quase em verso
arrastada pela vertigem da entrega
e quase acreditei nesse querer ser tudo
sem ser nada
parei a roda do tempo, abriguei a brisa
e o vento
e madruguei na tua boca
boca tua que esculpi num dia 
em que quase me esqueci

(de mim)  

 

 

 

Maria Inês Lemos da Rocha Aguiar,  nasceu no Porto em 1958. É professora de língua inglesa e alemã, foi sub-directora e directora da Administração da escola de línguas Encounter English, onde deu aulas de Português para estrangeiros. Durante um ano trabalhou em Paris. Gosta de viajar e, por isso, conhece meio mundo e deseja conhecer a outra metade. Escreve poesia. Em 2002 publicou uma colectânea de poemas, Tinta Fina..

9 Comments

  1. Obrigada Adão e Carlos e um grande obrigada para a AugustaClara que escolheu e publicou.Naveguemos então em palavras e telas, fotografias, melodias, realidades e utopiasNaveguemos afectos, aportemos em portos abertos à esperança e boa viagem.Abraços e beijos

  2. Olhando o seu curriculum e eu não tendo nada que sustente a minha humilde opinião, parece um abuso vir aqui à sua presença, dizer que adorei este seu poema.Lindo, lindo, lindo.Permita-me felicitá-la. Parabéns!Vasconcelos

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