Coreografia da água – por Luís Rocha

(Publicado em Estrolabio)

 

 Estou sentado no banco de um jardim Municipal, que localmente se designa por “parque da cidade”.

 Ainda é cedo e poucas pessoas passeiam pelo jardim.

Apenas se ouve o chilrear dos pássaros e sente-se o conforto do

silêncio. Vejo o colorido das flores, as árvores e sinto o cheiro a fresco.

O que atrai a minha atenção, até pela calma que transmite, são

vários repuxos de água que no máximo do seu esplendor fazem

um quadrado, com uma área quase idêntica à de um palco de teatro.

Os repuxos sobem e descem numa coreografia perfeita, em forma

alternada ou conjunta, com mais ou menos exuberância que se manifesta

na altura que alcançam, numa dança de água desafiante e ao mesmo

tempo calma. De vez em quando surge uma nuvem de água, como um

fumo que envolve os bailarinos (repuxos) na fantasia da sua dança.

 

O fumo vai-se desvanecendo lentamente, os bailarinos param por momentos e vão surgindo como estátuas vivas à medida que se levanta o nevoeiro. De seguida e também lentamente os bailarinos retomam a sua dança à espera de nova nuvem envolvente que quase os esconde, como a querer sufocá-los. Por cima daquela névoa vão aparecendo um, dois e depois três repuxos, como que a gritar pela sua “liberdade”, ou será que os seus saltos mais altos, que vão contagiando os outros bailarinos, são o regozijo do aconchego e abraço daquela nuvem que vem e logo vai! Publicada por Luis Rocha às 13:00 1 comentários Etiquetas: liberdade de expressão, luís rocha, natureza, água Mensagens mais recentes Mensagens antigas Página inicial Subscrever: Mensagens (Atom)

 

Luis Augusto Fernandes J. Rocha, nasceu em 1946, em Castelo Branco. É licenciado em Organização e Gestão de Empresas pelo ISCTE. (actual IUL). É membro da Ordem dos Economistas e sócio do Sport Lisboa e Benfica. Diz –nos que teve uma infância com muito amor dos pais e de todos os familiares, o que contribuiu para a sua maneira de estar na vida. Tem dois filhos e quatro netos. Aos 50 anos saiu da editora e apresentou, a um distribuidor de publicações (quiosques, tabacarias, supermercados e livrarias), um projecto de negócio que tinha como base o tratamento de assinaturas das publicações dos editores.

Tratava-se de propor aos Editores mais um serviço e neste caso inovador nas empresas de distribuição de publicações. O projecto tornou-se realidade com a constituição de uma empresa em sociedade com o Distribuidor. Durante 10 anos a empresa que começou do “zero”, foi por ele gerida com sucesso. Na edição e na distribuição teve contactos e negociações com editores portugueses, espanhóis, franceses e ingleses.

Aos 60 anos decidiu reformar-se por antecipação. Após umas férias “sabáticas”, passou a fazer as coisas de que gosta e que não teve tempo para fazer, enquanto trabalhava. Está sempre ocupado e costuma dizer “ não sei como é que tinha tempo para trabalhar”. Para além do exercício físico e da prática de tiro ao alvo, aprecia os espectáculos (Cinema/futebol/Teatro/Bailado/Concertos) e as Artes em geral. Gosta de fotografia, de dançar, viajar e é um apaixonado pela música clássica. Gosta de ler (poesia e prosa), contar histórias aos netos e representar peças de teatro com eles.

Quando terminou o serviço militar, foi, em Abril de 1972, admitido numa Editora internacional em constituição. Participou assim num projecto inovador na área da edição em Portugal, de tal modo inovador e aliciante, com participação directa na gestão da empresa, que teve como consequência a sua permanência nessa Editora durante 25 anos. Frequentou também vários cursos de formação profissional e participou na gestão de várias empresas, sempre ligadas à edição e comercialização de publicações.

 

Dá grande importância ao convívio com amigos e familiares. Em alguns momentos de solidão (sentado por exemplo numa esplanada á beira mar,
sente um desejo súbito de escrever sobre o que sente ou o que vê. Escreve sobre memórias e sobre o que chama “fotografias da mente – do que vai vendo e observando”, andando por isso sempre acompanhado de um caderno de apontamentos. 

Da experiência profissional e formação académica ficou-lhe o “bichinho” do gosto pela gestão de empresas, continuando a  querer estar informado sobre o tema a nível nacional e internacional. Tem em mente o projecto de um livro técnico sobre a sua experiência profissional,  adaptada aos dias de hoje e de um romance. Espera ter tempo para os concretizar.

 

Leave a Reply