Common decency- por Fernando Pereira Marques

 

                                                         George Orwell

 

 

 

(Publicado em Estrolabio em 5 de Dezembro de 2010)

 

Em entrevista ao Le Monde, o sociólogo Alain Touraine – meu antigo professor -, falando da França, afirmava que se vive no tempo da “mini-política”, em que se baixa o nível dos debates para iludir as verdadeiras questões e se é incapaz de responder às profundas transformações dos dias de hoje.

 

Porque Orwell, que arriscou a pele e pegou em armas na defesa das suas convicções, não partilhava de certas mitologias providenciais, nem acreditava em entidades portadoras do sentido da História como o “proletariado”, e muito menos no “homem novo” pretensamente produzido pelos totalitarismos de qualquer cor. Antes considerava existir essa espécie de sentido moral elementar capaz de permitir aos cidadãos distinguirem o justo do injusto na comunidade a que pertencem e, deste modo, pugnarem por uma organização política e social onde deixem de ser encaradas como normais as obscenas desigualdades na distribuição da riqueza e de rendimentos, a desumanidade na utilização dos trabalhadores, a condenação dos idosos à solidão e das novas gerações à precariedade e à marginalidade social, a magnanimidade da Lei com especuladores ou supostos empresários que se mantêm respeitáveis quaisquer que sejam as malfeitorias praticadas. Aspectos indecentes do actual darwinismo capitalista que subvertem a democracia e matam as liberdades, na medida em que os políticos tornam-se mandatários, não de quem os elege, mas dos interesses organizados que na realidade decidem graças à opacidade corruptora gerada pelo sistema.

 

 

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