DIÁRIO DE BORDO – O poder do Estado versus o poder financeiro


 

No El País de sábado passado, dia 3 de Setembro, na secção de economia, vem a notícia de que o governo norte-americano, através da agência que supervisiona a habitação, apresentou um pedido de indemnização, contra 17 bancos e outras entidades financeiras, por causa das hipotecas sobre de habitações vendidas a duas agências prestamistas públicas, a Freddie Mac e Fannie Mae. A indemnização pedida ascende a mais de 70.000 milhões de euros (quase metade do PIB de Portugal) e as entidades visadas são norte-americanas e estrangeiras. A acusação é de que estas mentiram sobre a real qualidade dos produtos financeiros transaccionados. Não terão comprovado a respectiva qualidade, falhando na verificação das provas de rendimentos dos hipotecados.

 

É claro que o governo norte-americano procura limitar os prejuízos causados aos contribuídos com a depreciação daqueles produtos. Também  o grupo suíço UBS foi alvo de um processo semelhante. A Goldman Sachs também terá sido processada devido a práticas de uma antiga filial. Parece que na fortaleza do capitalismo se procura limitar os estragos causados pelas actuações de alguns dos seus agentes.

 

Em Portugal continuamos à espera de esclarecimentos claros e suficientes sobre o que se passou no BPN e noutros bancos. Será que o poder financeiro cá é mais forte do que na fortaleza do capitalismo? Ou o problema é outro?

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