Chegada ao Rio de Janeiro (Jornal de uma curta viagem ao Brasil – 1) – por Sílvio Castro

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Moderno argonauta, principalmente no uso dos meios de locomoção, parti para esta curta viagem ao Brasil, tendo como ponto de referência central o Rio, com os veículos mais rápidos e eficientes, os aviões. Com particular louvor para aqueles da TAP que até aqui felizmente me conduziram.

 

Saí de Veneza, meu porto estável, no dia 6 de setembro passado. Mas não parti com calma e nem com calmaria, pois naquele dia vivia-se a greve-geral proclamada pelo maior e mais importante sindicato italiano, a CGL, poderoso no alto de seus mais de 5 milhões de inscritos.

 

Desde alguns dias antes da partida, eu já sabia que no dia 6 de setembro Veneza ficaria praticamente impossibilitada de alcançar o continente, pois os seus meio públicos não funcionariam até o entardecer daquele dia remarcável por mais de uma razão. Como consequência, para superar a “Ponte della Libertà” eu precisaria de um carro. Como há muito eu renunciara ao meu, um caro amgo veneziano – um dos melhores chefs da cidade – muito gentilmente se ofereceu para fazer com que eu pudesse chegar ao aeroporto internacional “Marco Polo” com as devidas duas horas de antecedência para concretizar o check-in do vôo TAP marcado para sair às 12,45. Mas com as suspensão de tudo, também o meu vôo só poude decolar somente 10 horas mais tarde. Ainda bem que em Lisboa me esperava um bom hotel! Dormi tranquilo até a manhã seguinte, quando pude subir no belo jumbo da Companhia portuguesa, no caso o imponente “Infante D. Henrique”.

 

A greve da CGL era mais que justa, pois contrastava a iníqua Reforma financeira de Berlusconi e Tremonti que, através tortuosas linhas, pretende salvar a Itália da crise que a ronda.

 

A meta maior da greve se dirigia contra o parágrafo 8 da dita Reforma, parágrafo que, no caso de aprovação pelo Parlamento, permitiria aos empregadores de despedir os seus dependentes sem submeter-se ao parecer sidical. Isto, ferindo diretamente o art. 18 da ótima Constituição italiana, artigo que defende as conquistas maiores dos trabalhadores e consagra o direito dos mesmos ao trabalho.

 

O “Infante D. Henrique” com toda outra serenidade a descer no aeroporto internacional do Galeão, o magnífico “Antônio Carlos Jobim”, que era ainda dia cedo, em plena tarde do Dia da Independência, o 7 de setembro

 

                                        “Liberdade, liberdade,

                                         abre as asas sobre nós;

                                         as chuvas, as tempestas

                                         fazem que ouça a sua voz.”

 

Nesse estado d´ânimo desembarquei e logo cheguei à minha meta, no Rio. Porém, de imediato, compreendi que a tranquilidade que via pelas ruas e avenidas cariocas tinha alguma coisa por detrás. Logo depois me informei sobre o que era. Naquele 7 de setembro, em muitas capitais brasileiras – não todas – e principalmente em Brasília, diante do palanque no qual assistia ao desfile oficial a Presidente Dilma uma multidão protestava contra a onda de corrupção que assalta grande parte da política brasileira, envolvendo muitos políticos importantes e não somente da oposição. Tal como na Itália.

 

A corrupção vinha então denunciada em particular pelos jovens e suas organizações que se articulam através da internet. Tal movimento dos jovens brasileiros me surpreendeu muito felizmente. Isto porque, vindo da Itália, ali eu assisto quase a cada dia denúncias e protestos contra os políticos corruptos, mas me entristeço pela ausência dos jovens italianos em tais protestos. Um das maiores consequênciass da crise moral em que se debate a política na Itália encontra-se propriamente neste decepcionante fenômeno vindo da ausência constante das vozes dos jovens.

 

Entretanto, voltando ao Brasil, tomo conhecimento dos números daquilo que os maior quotidianos nacionais proclamam como “multidão de manifestantes”. Tal multidão era de 25.OOO partecipantes em Brasília, a mais concorrida. As outras 10 capitais onde o movimentou se concretizou apresentavam uma média de 10.000 manifestantes. Então, pensando nas centenas de milhares que normalmente enchem as praças italianas, me desiludo e logo concluo que os meio tecnicológicos, como a internet capaz de gerar em poucas horas números formidáveis de participações nos movimentos de protesto civis no Brasil não consegue, todavia, levar os mesmo jovens adesistas às praças públicas. Mas, isso não é culpa dos modernos intrumentos de divulgação, mas sim da ainda predisposição do brasileiro a confinar seus ideais políticos ao ambiente doméstico e ao refúgio da própria individualidade.

 

 

Porém, importante é que a corrupção dos políticos – fenômeno sempre crescente principalmente no quadro internacional dos paises ocidentais envolvidos num retógrado liberalismo econômico – venha sempre e cada vez mais denunciada e repudiada.

1 Comment

  1. Olá Sílvio,Em 1984 vivia no Rio de Janeiro e participei numa manifestação que ficou para a história, do movimento Diretas J’a! Éramos um milhão d epessoas na rua a exigir eleições presidenciais com voto direto.Outros tempos colocaram-nos sentados no sofá.Abraço Ethel

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