A cultura pode salvar a economia europeia – é o seu principal recurso económico

 

Diário de bordo

 

 

 

Na cerimónia de abertura do Congresso Europeu da Cultura que decorre desde sábado na cidade de Wroclaw, na Polónia, o pensador polaco Zygmunt Bauman, afirmou que “o futuro da Europa depende da Cultura”.  E acrescentou: “O mundo está a transformar-se  num mosaico de diásporas, num arquipélago de culturas”. Segundo Bauman, esta situação que embora possa ser favorável do ponto de vista económico, poderá também vir a provocar uma  incomunicabilidade babélica; como solução,o intelectual polaco defendeu o investimento em sistemas de tradução que permitam a criação de “uma nova biblioteca de Alexandria”. “A cultura  é o nosso principal recurso económico”

 

Já aqui falámos das diferentes críticas que nos fazem e da impossibilidade que temos de corresponder a todas as expectativas dos que nos visitam e até mesmo dos nossos colaboradores. Que deveríamos dar umamaior atenção à política nacional, que deveria haver uma menor incidência de textos literários, pois existe um excesso de textos sobre a área cultural, uma exagerada preocupação com temas literários. Mas, no pólo oposto, é recorente a queixa de que devíamos publicar mais poemas e que deveríamos dar mais espaço à literatura e às artes.

 

De modo algum gostaríamos de ser um blogue literário. Não porque fosse pecado, mas organizar um blogue dessa natureza   implicaria uma estrutura e uma capacidade que não está ao nosso alcance. Porém o fenómeno cultural tem uma importância transcendente e quando olhamos a política nacional, cheia de gente incapaz, sem carácter, rasteira, iletrada, ainda maior importância a cultura assume aos nossos olhos.

  

Portanto, não deixaremos de estar atentos às questões da actualidade – a evolução da política internacional, a crise económica, a defesa dos direitos humanos… Porém, dentro da nossa modéstia e carência de meios, pretendemos, no entanto e sobretudo, constituir uma meio de informação e de formação cultural.

8 Comments

  1. Estou cheio de ver textos na comunicação social sobre a actualidade política, sobretudo nacional, dizendo quase todos a mesma coisa por palavras diferentes, francamente insípidas, desvanecendo-se como fumo no fim da leitura. Não fica nada, e muito menos fica o tempo perdido. Textos e leituras denunciadoras, capazes de abrir as consciências e iluminar a inteligência, são raros. Textos que deixam lastro e dão vida ao pensamento são achados. Por isso, quero que se lixem os textos que para aí aparecem em todos os jornais e blogs. Antes temas literários que espevitem a nobreza dos nossos sentimentos.

  2. Meu caro Adão: a política, a economia, a sociologia, têm faces nobres, diferentes do espectáculo degradante a que asistimos diariamente – gente corrupta e rasteira, na sua maior parte. Não é políitica, mas sim poliitiquice. A Literatura, também pode converter-se em literatice. A cultura é um conceito abrangente – não pode restringir-se às artes e às letras. Mas tu sabes isso muito bem.

  3. Eu estou muito de acordo com o que o Adão está dizer. Se não fossem os graves prejuízos causados a quem menos tem pelas políticas nacionais, já nem leria senão o que se passa a nível mundial, onde tudo se joga. Há quem diga que há literatura e arte a mais? Felizmente ainda não puxam pela pistola. Então. alternativamente aos que falam de literatura, porque não discutem política? Não entendo certas pessoas…que devia entender.

  4. Penso que é indispensável abordar no nosso blogue problemas nacionais. A literatura e a arte são fundamentais, mas não podemos deixar de parte o dia a dia, a vida concreta em que estamos mergulhados. Seria um erro fazê-lo. Aliás, toda a arte, mesmo a que se pretende abstracta, diz-nos mais quando tem alguma ligação com a vida. Não pretendo vir aqui com generalidades supérfluas, mas propor que procuremos sim, diversificar mais os temas presentes n’A Viagem dos Argonautas, e que tentemos alargar o nosso grupo o mais que possível, com gente nova (digo isto porque sou velho) e de qualidade (já temos muita, é verdade, mas nunca é demais).

  5. A arte tem sempre a ver com a vida, acho eu. Não há nenhum morto a pintar, a fazer poemas ou a escrever música. E essa coisa da gente nova e da gente velha – fisicamente, penso que é o que tu queres dizer – não tem o mínimo cabimento. Pensei que essa argumentação já estava ultrapassada. Eu não dou o meu lugar a ninguém por ter menos 20 ou 30 anos do que eu. Porque havia de dar? Ter mais ou menos idade não dá qualquer garantia de qualidade intelectual e humana. .

  6. Li os vossos comentários depois de ler o texto do Carlos Loures. Concordo com o Adão e a Augusta pois pelo que tenho lido, há neste blogue gente com cultura quanto baste para alimentar uma cidade. Há gente que usa a palavra, o pincel, as cores e as emoções… e não há velhos, caro João, há caminhadas mais longas mas mais sábias e tem sido com gente deste blogue, como tu, que eu aprendi a não me distanciar do mundo pois estou cá …Gosto de vos ler pelo vosso saber mas o que me dá mais gozo são os textos de opinião, história, contos, poemas e a bela Aurora adormecida…

  7. Não vejo onde está o nó do problema. A bem dizer, nem vejo onde está o problema. Discutir a orientação do blogue faz todo o sentido – quem tripula um barco, tem o direito de saber para onde ele se dirige. Antes de começarmos, já sabíamos que um consenso absoluto, total, é impossível. Eu poria a questão assim – queremos ser um blogue generalista, um factor de informação e de formação, um local de debate? Este objectivo comporta um conceito abrangente de cultura – as artes, as letras, as ciências e. também a política, sobretudo a internacional. Isto foi o que definimos à partida como objectivo, Se nos estamos a desviar, corrija-se a rota. Não vejo motivo para derivar para o conflito de gerações, coisa que me parece não se verificar. A troca de impressões dos dois primeiros comentários, o do Adão e o meu, reflecte uma discussão que começou há dois blogues atrás e tem mais ou menos a ver com a natureza da arte. Parece-me que os comentários seguintes criaram uma deriva. O que também não é preocupante – os debates são assim. Mas, pelo menos, é conveniente que todos estejamos a falar do mesmo.

  8. Como sabes, num navio, a tripulação tem tarefas e assuntos diversificados a tratar. E por esse ter sido o debate de origem não quer dizer que os outros sejam derivas. Para dizer a verdade, acho que esta troca de opiniões já não tem nada a ver com isso. O conflito de gerações é, esse sim, uma deriva que não tem razão de ser. Mas eu gosto de me sentir livre para expressar aquilo que penso. E é bom que todos se sintam, também.

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